Desenhistas e administradores de bases de dados foram os profissionais com a maior valorização salarial e crescimento no número de trabalhadores no Brasil nos últimos 12 anos. É o que mostra levantamento da pesquisadora da consultoria IDados, Ana Tereza Pires, especialista em economia do trabalho e da educação.

O estudo, feito a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE revela as profissões com diploma que mais ganharam e perderam profissionais, e também as que tiveram os maiores aumentos ou reduções no valor de salário médio.

+ Ranking mostra as profissões com melhores e piores salários no Brasil

Desenhistas e administradores de bases de dados foram a profissão com maior variação positiva tanto de salários (91%) como de profissionais ocupados (6.488%). Veja abaixo os rankings:

Ranking das profissões que passaram a pagar mais

Nome da ocupaçãoVariação salarial
Desenhistas e administradores de bases de dados91%
Fonoaudiólogos e logopedistas81%
Profissionais em direito (com exceção de advogados e juristas)75%
Urbanistas e engenheiros de trânsito69%
Desenvolvedores de programas e aplicativos (software)60%
Bibliotecários, documentaristas e afins55%
Diretores de cinema, de teatro e afins51%
Dentistas47%
Educadores para necessidades especiais46%
Analistas de gestão e administração43%
Engenheiros químicos42%
Matemáticos, atuários e estatísticos40%
Profissionais de relações públicas39%
Assistentes sociais29%
Professores de universidades e do ensino superior28%
Professores do ensino fundamental27%

 

“O que mais me chamou a atenção de variação foram as profissões ligadas a tecnologia e ao mercado financeiro”, diz Ana Tereza Pires, a pesquisadora da IDados.

Conforme demonstrado no ranking, desenvolvedores de programas e aplicativos (software) e matemáticos, atuários e estatísticos também estiveram entre as 15 maiores variações salariais positivas. O número de ocupados em ambas as profissões também cresceu: 640% e 3.292%, respectivamente.

Ranking das profissões que mais cresceram

Nome da ocupaçãoVariação de pessoas ocupadas
Desenhistas e administradores de bases de dados6.488%
Desenvolvedores de páginas de internet (web) e multimídia3.565%
Matemáticos, atuários e estatísticos3.292%
Especialistas em base de dados e em redes de computadores não classificados em outras profissões1.051%
Profissionais em direito (com exceção de advogados e juristas)714%
Desenvolvedores de programas e aplicativos (software)640%
Profissionais da proteção do meio ambiente470%
Profissionais em rede de computadores371%
Desenvolvedores e analistas de programas e aplicativos (software) e multimídia não classificados anteriormente303%
Farmacêuticos246%
Agrônomos e afins212%
Analistas financeiros205%
Veterinários198%
Engenheiros não classificados anteriormente196%
Profissionais de enfermagem194%

 

A pesquisadora destaca o caso curioso da profissão de Desenvolvedores de páginas de internet (web) e multimídia, segundo maior crescimento no número de ocupados, mas também uma das poucas profissões na área de tecnologia em que houve retração do salário. A variação no período foi de -60%, indicando talvez alguma saturação da carreira.

Outro destaque foi a engenharia civil, área em alta 12 anos atrás e que agora figura entre as maiores diminuições de remuneração média. Veja o ranking das profissões com maior variação salarial negativa:

Ranking das profissões que passaram a pagar menos

Nome da OcupaçãoVariação salarial
Escritores-63%
Desenvolvedores de páginas de internet (web) e multimídia-60%
Tradutores, intérpretes e linguistas-57%
Biólogos, botânicos, zoólogos e afins-56%
Geólogos e geofísicos-52%
Engenheiros eletrônicos-52%
Arquitetos de edificações-49%
Profissionais em rede de computadores-41%
Engenheiros industriais e de produção-35%
Engenheiros civis-34%
Jornalistas-32%
Profissionais da publicidade e da comercialização-31%
Engenheiros eletricistas-30%
Químicos-28%
Desenhistas gráficos e de multimídia-25%
Especialistas em métodos pedagógicos-24%

Muitas das profissões do ranking de maior redução salarial também figuram na lista das que tiveram o maior encolhimento no número de ocupados.

Em geral, as ocupações tendem a ter um crescimento ano a ano no número de profissionais, devido ao aumento da população e do acesso ao ensino superior. Porém, em algumas carreiras, como professores, houve até mesmo queda no número de trabalhadores.

“As pessoas estão procurando menos essas profissões que pagam pouco. Já tem um direcionamento de mercado de procurar mais profissões que estão em alta e pagam mais”, afirma a pesquisadora. 

Ranking das profissões que mais encolheram

Nome da ocupaçãoVariação de pessoas ocupadas
Tradutores, intérpretes e linguistas-63%
Locutores de rádio, televisão e outros meios de comunicação-41%
Outros professores de idiomas-33%
Bibliotecários, documentaristas e afins-21%
Professores de universidades e do ensino superior-21%
Profissionais de vendas de tecnologia da informação e comunicações-20%
Desenhistas de produtos e vestuário-20%
Engenheiros de minas, metalúrgicos e afins-20%
Engenheiros industriais e de produção-15%
Ministros de cultos religiosos, missionários e afins3%
Geólogos e geofísicos6%
Assistentes sociais6%
Químicos9%
Diretores de cinema, de teatro e afins12%
Engenheiros em telecomunicações15%
Engenheiros eletrônicos17%

Como foi feita a pesquisa

Os dados utilizados foram extraídos da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e comparou a média salarial das ocupações que exigem diploma no 1º trimestre de 2024, em relação a 2012.

Foram desconsideradas profissões que empregam menos de 1000 trabalhadores, “para evitar ocupações que são estatisticamente irrelevantes”, diz a pesquisadora.

Veja aqui o ranking das profissões com melhores e piores salários no Brasil, e os valores médios.