A instabilidade orçamentária nos Estados Unidos continua: um dia antes do início do novo ano fiscal, o Congresso aprovou o financiamento do Estado federal, por apenas 72 dias, já que a maioria republicana e a minoria democrata não chegaram a um acordo sobre os gastos.

Dominados pelos republicanos, o Senado e a Câmara de Representantes adotaram uma medida de financiamento do governo federal até 11 de dezembro, a tempo para o início do exercício orçamentário 2016, nesta quinta.

“Parece que os republicanos vão evitar por pouco paralisar o Estado federal pela segunda vez em dois anos”, ironizou o presidente Barack Obama.

O texto é de caráter temporário, motivo pelo qual em dez semanas haverá um novo risco potencial de crise.

A iniciativa evita que se repita o mesmo problema de 2013, quando os funcionários considerados não essenciais ficaram sem trabalho por 16 dias em consequência da queda de braço sobre a reforma do sistema de saúde.

O texto aprovado inclui recursos para uma grande organização de planejamento familiar, a Planned Parenthood. Este ponto conta com a oposição ferrenha do setor mais conservador do Partido Republicano.

As tentativas de aprovar um orçamento que bloqueasse os recursos para a Planned Parenthood fracassaram na semana passada. Na quarta-feira, o projeto foi aprovado no Senado por 78 votos contra 20, com mais da metade dos senadores republicanos votando a favor.

Embora sua estratégia tenha naufragado, o núcleo duro dos conservadores conseguiu o que considera uma vitória crucial: a renúncia do presidente da Câmara de Representantes, John Boehner, perseguido durante anos pela ala republicana mais radical, o Tea Party, que exigia dele uma ação conservadora mais agressiva.

O governo americano continua limitado pelos cortes de gastos que, basicamente congelaram os níveis orçamentários desde 2011. Enquanto os republicanos querem um aumento nos recursos para a defesa, Obama pressiona para elevar o gasto nos programas nacionais.