O governo federal dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (16) que o lago Mead, a maior represa do país, vai operar em 2022 em históricas condições de escassez de água, impactando dois estados do oeste do país e o México.

As projeções surgem a partir do estudo bianual, que analisa as condições da bacia do rio Colorado.

“O sistema do rio Colorado está atualmente em 40% de sua capacidade, uma redução comparável aos 49% registrados nesta época no ano passado”, anunciou a agência encarregada dos recursos hídricos, subordinada ao ministério do Interior.

O lago Mead, um reservatório localizado na fronteira entre Nevada e Arizona, abastece milhões de pessoas no oeste do país e está com o nível mais baixo desde sua criação, na década de 1930.

O lago Powell, o segundo reservatório do país, também alimentado pelo rio Colorado, também atingiu seu menor nível: 32% de sua capacidade.

“Desde 2000, a redução das represas do rio Colorado tem sido dramática e os cientistas que estudam as mudanças climáticas que não há fim à vista”, disse em um comunicado Jennifer Pitt, diretora do programa para o rio Colorado da organização Audubon.

“Como boa parte do oeste (americano), o rio Colorado está enfrentando desafios sem precedentes e de forma acelerada”, disse Tanya Trujillo, secretária assistente para Água e Ciência da agência federal de recursos hídricos.

Segundo projeções, em 2022 o plano de contingência exigirá uma redução de cerca de 18% da alocação anual para o Arizona; de 7% para Nevada; e de 5% para o México.

Sete estados norte-americanos e o México assinaram acordos para a gestão hídrica na bacia do rio Colorado. “Embora estes acordos tenham reduzido o risco, não eliminamos a redução contínua destas importantes reservas”, disse Camille Touton, também da agência federal de recursos hídricos.

O oeste dos Estados Unidos está sofrendo os efeitos da seca crônica agravada pelas mudanças climáticas, com lagos em níveis historicamente baixos, incêndios florestais incomumente precoces, restrições no uso da água e agora uma onda de calor potencialmente recorde.

“Em nível mundial, 800 milhões de pessoas estão em risco de viver uma escassez crônica de água devido à seca provocada pelo aumento de 2ºC na temperatura”, segundo um informe de especialistas do clima das Nações Unidas, obtido em julho pela AFP.