06/01/2011 - 23:38
A taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu para 9,4% em dezembro, sinal animador para o presidente Barack Obama, mas atenuado por dados de que a economia não está criando postos de trabalho suficientes.
“Nossa missão deve ser a de acelerar a contratação de trabalhadores e o crescimento, e para isso devemos tornar nossa economia mais competitiva, para favorecer novos empregos e novas indústrias e treinar trabalhadores para ocupá-los”, disse o presidente durante visita a uma fábrica de janelas em Maryland.
A taxa de desemprego baixou 0,4 ponto em relação a novembro, diz o relatório oficial sobre a situação do emprego no país, divulgado pelo Departamento do Trabalho para dezembro. Os analistas esperavam uma redução muito menos marcada, de 0,1 ponto, segundo suas previsões.
A redução do desemprego foi registrada apesar das criações de emprego aparentemente em número insuficiente. Segundo o departamento de Trabalho, a economia americana criou 103.000 novos postos de trabalho a mais que os que perdeu em dezembro.
O presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, advertiu que “a recuperação econômica iniciada há um ano e meio continua (…) mas até a data prossegue em um ritmo insuficiente para reduzir a taxa de desemprego de forma significativa”.
“Provavelmente será necessário um tempo considerável antes que a taxa de desemprego volte a níveis mais normais”, afirmou.
A criação de empregos mostrou uma alta de 45% das contratações em relação às de novembro, mas os analistas esperavam 150 mil novos postos de trabalho, nível a partir do qual se considera geralmente que o desemprego pode começar a cair.
O departamento do Trabalhou revisou em alta (+33%) sua estimativa de criação de postos de trabalho em outubro e novembro. No relatório, afirma que em dezembro “o emprego aumentou no setor de entretenimento, hotelaria e saúde, mas variou pouco nos outros”.
As cifras do desemprego e as de criação de empregos são obtidas a partir de dois estudos diferentes, o primeiro relacionado a uma amostra de lares, a segunda, à amostra de empresas, o que explica, às vezes, algumas diferenças entre os dois números.
O congressista republicano Eric Cantor considerou o informe mais positivo que em meses anteriores, mas disse que é necessário fazer mais pelo emprego.
“O relatório de hoje mostra que o desemprego evolui em torno dos 9% pelo 20º mês consecutivo e, ainda que a queda em relação ao mês passado seja animadora, precisamos fazer mais para garantir que as pessoas voltem a trabalhar”.
Embora republicanos e democratas falem de cooperação nas últimas semanas, suas receitas para dar emprego aos americanos são diferentes.
Os republicanos insistem em cortar os gastos do Estado e anular a reforma do sistema de saúde, que Obama finalmente conseguiu aprovar, para que as empresas aumentem a contratação de funcionários.
Já o conselheiro econômico da Casa Branca, Austan Goolsbee, insiste que no comércio os investimentos e incentivos fiscais – mais que o corte de gastos – vão incentivar o crescimento do emprego.
A administração Obama continuará “dando incentivos para encorajar as empresas a investir e contratar aqui em casa, aplicando recursos em educação e infraestrutura, além de promover as exportações”, prometeu.
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