As divergências entre Estados Unidos e China sobre questões relativas aos Direitos Humanos ficaram ainda mais evidentes após as reuniões bilaterais encerradas pelos dois países nesta terça-feira, que, a princípio, só trouxeram promessas genéricas de cooperação.

As duas maiores economias do mundo encerraram dois dias de diálogo sobre um amplo leque de temas, nos quais os Estados Unidos pressionaram a China para que permita a apreciação de sua moeda e Pequim procurou simplificar os controles americanos para suas exportações.

Contudo, a preocupação de Washington sobre a situação dos Direitos Humanos na China foi o tema central do Diálogo Econômico e Estratégico bilateral anual, que foi desenvolvido no momento em que a China opera a maior ofensiva contra dissidentes em anos.

As autoridades chinesas, que parecem preocupadas com a onda de protestos pró-democracia que varre o Oriente Médio, prenderam nas últimas semanas dezenas de advogados, artistas e críticos ao governo.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em uma de suas mais agudas críticas feitas até o momento, afirmou que a China estava equivocada se pensava que poderia manter-se à margem da onda de mudanças suscitada pelos protestos pró-democracia que sacodem ao mundo árabe.

O governo chinês “está preocupado e está tentando parar a história, que é uma batalha perdida de antemão”, disse Hillary à revista americana “The Atlantic”.

Além disso, ela defendeu a política dos Estados Unidos de buscar cooperação com a China em um grande número de assuntos globais, ao afirmar: “vivemos no mundo real”. “Não nos distanciamos da China, mesmo com o histórico lamentável do país em relação aos direitos humanos, assim como não nos distanciamos da Arábia Saudita”, disse.

Fontes oficiais disseram que Hillary e o presidente americano, Barack Obama, que recebeu a delegação chinesa à Casa Branca na segunda-feira, debateram o tema à portas fechadas.

Contudo, o vice-primeiro-ministro, Wang Qishan, um dos altos funcionários chineses que encabeçaram as conversações, disse que Pequim com frequência tem tentado explicar aos Estados Unidos seus pontos de vista sobre as manifestações. “Não acredito que movimentos como a ‘primavera árabe’ ocorram na China”, disse Wang em entrevista à TV.

Segundo o vice, a imprensa americana oferece uma visão limitada e distorcida da China e acrescentou que não é fácil que os Estados Unidos compreendam realmente o seu país porque “a China é uma civilização antiga e uma cultura oriental”.

Já o vice-chanceler chinês, Zhang Zhijun, incitou os Estados Unidos a terem mais cautela no manejo do conflito tibetano, conforme declarou a jornalistas.

Zhang disse que os líderes americanos afirmaram à delegação de Pequim que os Estados Unidos consideram o Tibete parte da China.

Além disso, preocupações de longa data sobre economia foram colocadas novamente sobre a mesa nesta terça-feira, quando fontes oficiais informaram que o superávit comercial da China alcançou os 11,4 bilhões de dólares em abril e as exportações atingiram recorde mundial.

“Minha maior preocupação é de que as relações econômicas entre China e Estados Unidos se politizem”, disse Wang.

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