14/06/2026 - 20:05
Os Estados Unidos e o Irã chegaram neste domingo, 14, a um acordo de paz e ao fim “imediato e permanente” das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, após mais de três meses de guerra no Oriente Médio. Em 19 de junho será realizada uma cerimônia de assinatura em Genebra.
“O acordo com a República Islâmica do Irã já está concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social, pouco depois de o mediador Paquistão afirmar que ambas as partes haviam alcançado um acordo.
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“Autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo o levantamento imediato do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”, afirmou.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, publicou no X que um acordo “FOI ALCANÇADO”.
Pouco depois de Sharif e de Trump, o Irã confirmou o acordo de paz.
Irã diz que se saiu vencedor
O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, declarou na noite deste domingo para segunda-feira que o acordo com os Estados Unidos põe um “fim imediato à guerra”.
“Em primeiro lugar, o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares nas diferentes frentes, incluindo o Líbano”, respondeu o diplomata na televisão estatal.
Ele acrescentou que o Irã saiu vencedor da guerra desencadeada por Israel e pelos Estados Unidos.
“O inimigo, que atacou para levar adiante seus desígnios mal-intencionados, viu todos os seus objetivos reduzidos a nada, e a República Islâmica do Irã alcançou grandes vitórias nesta guerra”, declarou Gharibabadi.
Apenas algumas horas antes, Teerã havia prometido represálias contra um ataque de Israel ao grupo pró-iraniano Hezbollah nos subúrbios de Beirute, o que ameaçava impedir o acordo.
Conteúdo do acordo ainda não é conhecido
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que o Estreito de Ormuz será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, 19.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que um acordo mais abrangente seria negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias, incluindo alívio de sanções. O destino do programa nuclear do Irã também será abordado nessas negociações posteriores, disseram fontes à Reuters anteriormente.
Milhares de pessoas foram mortas, principalmente no Irã e no Líbano, desde que as forças dos EUA e de Israel atacaram o Irã pela primeira vez em 28 de fevereiro. O Irã atacou Israel e os países do Golfo que abrigam bases norte-americanas e efetivamente bloqueou o Estreito de Ormuz, elevando os preços globais de energia. As forças americanas bloquearam portos iranianos em resposta.
O bloqueio do estreito impactou a economia global, desde o aumento dos preços dos combustíveis, que impulsionou a inflação nos Estados Unidos e em outros países, até cadeias de suprimentos congestionadas para bens como fertilizantes essenciais para a produção de alimentos em áreas distantes do Oriente Médio.
Ambas as partes divulgaram informações contraditórias sobre o conteúdo do acordo, à medida que cada uma busca emergir da guerra como vencedora.
Teerã tem insistido que manterá o controle sobre o Estreito de Ormuz, mas os Estados Unidos afirmaram em diversas ocasiões que isso era inaceitável. Outro ponto das negociações tem sido o destino do programa nuclear iraniano, em particular seus estoques de urânio altamente enriquecido.
Trump justificou a guerra como necessária para impedir que o Irã obtivesse armas nucleares, uma ambição que Teerã tem negado.
Um memorando de entendimento prevê o desembolso imediato de 12 bilhões de dólares em ativos congelados, informou nesta segunda-feira (15, data local) a agência de notícias iraniana Mehr.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, comemorou o acordo. “O secretário-geral espera que as partes aproveitem este novo impulso e redobrem seus esforços em direção a uma resolução final do conflito”, afirmou Guterres em um comunicado atribuído ao seu porta-voz, Stéphane Dujarric.
