Estados Unidos e Rússia podem encontrar “áreas de cooperação” na Síria, estimou nesta quinta-feira o secretário americano de Defesa, Ashton Carter, no momento em que Moscou segue ampliando sua presença militar no território sírio.

Se a Rússia busca uma solução política para a crise na Síria e não apenas atacar de maneira “indiscriminada” todos os adversários do presidente Bashar al-Assad, “podemos encontrar áreas de cooperação”, disse Carter.

“Mas se, ao contrário, pretende jogar mais gasolina no fogo da guerra civil, não será produtivo”, destacou Carter no Pentágono após se encontrar com o ministro ucraniano da Defesa, Stepan Poltorak.

O Kremlin anunciou nesta quinta-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, se reunirá com o presidente americano, Barack Obama, na próxima segunda-feira, em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Trata-se do primeiro encontro oficial entre Putin e Obama desde a Cúpula do G8 na Irlanda do Norte, em junho de 2013.

Os Estados Unidos têm manifestado sua preocupação com o crescente apoio de Moscou ao regime sírio, em particular com o envio de aviões, tanques e militares para o norte da Síria.

Moscou nega que promova uma escalada militar, mas admite que apoia o governo sírio em sua luta contra os jihadistas do Estado Islâmico e entrega armas conforme acordos previamente firmados.

O ativismo russo – diplomático e militar – parece começar a produzir resultados: vários países, incluindo Alemanha e Turquia, informaram nas últimas 24 horas que pretendem incluir Al-Assad na busca de uma solução para o conflito.

Na quarta-feira, durante a Cúpula da União Europeia em Bruxelas, a chanceler alemã, Angela Merkel, considerou que é preciso falar com Al-Assad para resolver o conflito.

“É preciso falar não apenas com os Estados Unidos, com a Rússia, mas também com os parceiros regionais importantes, o Irã, com países sunitas como a Arábia Saudita”, avaliou a chanceler.

A guerra civil na Síria afeta diretamente a Europa, confrontada com a chegada de milhares de refugiados do conflito sírio.