O governo do democrata Barack Obama ganhou mais alguns meses para chegar a um acordo com os republicanos e aumentar o teto da dívida dos Estados Unidos. O alívio imediato garante o fim do congelamento de verbas (shutdown) e afasta o risco de um calote na dívida. No entanto, essa disputa política ainda pode causar o aumento da volatilidade nos mercados. “É uma questão política”, afirma o economista Fernando de Holanda Barbosa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Os republicanos estão fazendo uma chantagem continuada e isso gera uma incerteza.”

 

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Sem acordo provisório entre Obama e republicanos, aposentados ficariam sem receber dia 1º 

 

 

Uma das razões para o constante clima de incerteza é que na terça-feira 15 a agência de classificação de risco Fitch Ratings colocou em perspectiva negativa a nota dos Estados Unidos e ameaçou rebaixá-la caso as negociações em relação ao teto da dívida se prolongassem por muito tempo. Um rebaixamento iria causar uma elevação do risco desses papéis, com potencial de perdas aos investidores no curto prazo. Para aprovar a elevação, os republicanos querem mudanças, entre outras coisas, no programa de saúde de Barack Obama, conhecido como Obamacare.

 

Haveria também outras consequências caso o país perdesse a nota “triple A” – a mais alta de todas. Esse aumento de risco, na prática, resultaria em juros mais altos nos Estados Unidos, que seria seguido por outras nações.”Esse movimento poderia causar uma contração na atividade econômica”, diz o Barbosa, lembrando que a economia global já está fragilizada.

 

Apesar da incerteza, o acordo provisório afasta a possibilidade de um caos social nos Estados Unidos. Com apenas US$ 30 bilhões em caixa, o Tesouro norte-americano conseguiria lidar com seus compromissos só até o final do mês. No entanto, no dia 1º de novembro ocorre o pagamento de US$ 40 bilhões a beneficiários da seguridade social do país e aos militares (ativos e inativos). “Se chegasse a esse ponto, os problemas internos seriam muito graves e haveria uma pressão para os parlamentares agirem”, diz Maurício Molan, economista-chefe do Santander.

 

Sem o fôlego extra, que vai até o dia 7 de fevereiro de 2014, o calote aos investidores aconteceria só em 15 de novembro, quando o Tesouro norte-americano precisa pagar US$ 29 bilhões em juros da dívida. O estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno, acredita que a maior volatilidade e a situação fiscal norte-americana não terão reflexos na atividade econômica do país no curto prazo. “Isso só ocorreria se essa situação se prolongasse por muito tempo.”

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