Duas irmãs presas há 16 anos no Mississippi (sul dos Estados Unidos) vão receber liberdade condicional, desde que uma doe o rim à outra.

O governador do Estado, Haley Barbour, suspendeu na noite de quarta-feira a condenação à prisão perpétua de Jamie e Gladys Scott, para que Gladys ajude a irmã, que sofre de insuficiência renal grave e vem sendo submetida à diálise.

As duas tornaram-se símbolo das duras penas infligidas aos negros americanos, pelo que o grupo de defesa dos direitos civis NAACP realizou longa campanha pela libertação delas.

As mulheres se dizem vítimas de erro judiciário. Foram condenadas por cumplicidade em roubo à mão armada em 1993 e só teriam direito, normalmente, a se beneficiar da condicional em 2014.

Soma-se a este drama o fato, segundo o qual, os principais autores do roubo de 11 dólares, dois adolescentes, terem sido libertados depois de dois anos.

A prisão das duas irmãs “não é mais necessária tanto em termos de segurança pública quanto em relação a sua reabilitação; além disso, o estado de saúde de Jamie Scott representa um custo importante para o Estado do Mississippi”, explica o governador no comunicado.

“A libertação de Gladys Scott está condicionada à doação de um de seus rins à irmã, um proceddimento de urgência”, acrescentou ele. Gladys Scott já manifestou concordância.

A NAACP saudou nesta quinta-feira a decisão do governador, considerando-a “justa e corajosa”, num assunto que representava “um escândalo emblemático dos preconceitos cristalizados em nosso sistema judiciário”.

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