05/01/2011 - 6:15
Os Estados Unidos mantêm sua posição de nomear Larry Palmer para embaixador na Venezuela e pretendem sustentar esta posição indefinidamente, revelou nesta quarta-feira o porta-voz do departamento de Estado Philip Crowley.
Washington considera que é importante ter um embaixador na Venezuela, mas censura as “crescentes tendências autocráticas” naquele país, destacou o porta-voz.
“Não mudamos nossa posição, apesar de, tecnicamente, sua nomeação ter expirado”, disse o porta-voz.
Há dois dias, Crowley admitiu que a nomeação de Palmer, que ainda não passou no Senado, tinha perdido o efeito porque o Congresso americano encerrou sua 111ª legislatura em dezembro.
“Foi apoiado antes do encerramento da legislatura anterior e mantemos este apoio hoje. Lamentamos muito que a Venezuela retire seu ‘agreement’, mas o fato é que não estamos procurando outro candidato (…). Nossa disposição é seguir assim por um tempo indefinido”, disse Crowley.
A polêmica em torno de Palmer foi deflagrada no final do ano passado, quando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, negou o ‘agreement’ afirmando que o diplomata atacou as Forças Armadas Venezuelanas em sua audiência no Senado americano.
Segundo Chávez, Larry Palmer ofendeu as Forças Armadas ao dizer que na Venezuela há guerrilheiros colombianos e que os militares têm o moral baixo e são influenciados por Cuba.
“Para ser embaixador aqui precisa respeitar esta pátria (…) Indigno seria permitir a vinda deste senhor à Venezuela”.
Em reação a decisão de Chávez, os Estados Unidos revogaram o visto do embaixador da Venezuela em Washington, Bernardo Álvarez, em decisão qualificada de “apropriada e recíproca” pelo departamento de Estado.
“Avisamos que haveria consequências quando o governo venezuelano retirou seu ‘agreement’ ao embaixador Larry Palmer. Adotamos a medida apropriada, proporcional e recíproca”, disse o porta-voz Charles Luoma-Overstreet no final de dezembro.
Estados Unidos e Venezuela já haviam retirado seus respectivos embaixadores entre setembro de 2008 e junho de 2009, em meio a complicações diplomáticas.
Na ocasião, Álvarez também era o embaixador em Washington, e foi declarado persona non grata em setembro de 2008, após a expulsão do representante americano em Caracas.
afp/LR