Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com as prisões ocorridas no domingo de quase cem opositores cubanos, poucos dias antes da visita a Havana do secretário de Estado, John Kerry, afirmou um porta-voz do governo americano.

“Estamos profundamente preocupados com a prisão de ativistas pacíficos”, afirmou John Kirby, do Departamento de Estado.

“Os Estados Unidos continuarão promovendo o direito à reunião e à associação pacífica, à liberdade de expressão e de religião”, acrescentou.

Mas o porta-voz não reconsiderou a visita de Kerry em 14 de agosto para a abertura da embaixada americana em Havana. Ele será o primeiro secretário de Estado americano a visitar Cuba desde 1945.

“A sexta-feira é um grande dia”, disse Kirby.

Cerca de 90 opositores cubanos, entre eles meia centena de Damas de Branco, foram detidos neste domingo e depois libertados após protestarem usando máscaras do presidente Barack Obama em rechaço à reabertura da embaixada americana na ilha.

Policiais uniformizados e à paisana, acompanhados de manifestantes governistas, cercaram os opositores e os prenderam às 14h locais (15h de Brasília), quando eles se preparavam para retornar às suas casas após a caminhada dominical tradicional das Damas de Branco, no setor de Miramar, em Havana. Quatro horas depois, foram libertados.

Vários opositores usavam máscaras com o rosto de Obama, em protesto contra a aproximação dos dois países, iniciada em dezembro.

Depois de meio século de hostilidades, em 20 de julho, os dois países restabeleceram relações diplomáticas plenas e as respectivas Seções de Interesses passaram a ser embaixadas, segundo os termos da aproximação histórica, anunciada em dezembro entre Havana e Washington.

Mas os dois países ainda mantêm diferenças profundas e o acordo tem críticos nos dois lados dos 150 km de mar que os separam.

“Continuaremos expressando nosso apoio à melhora dos direitos humanos e às reformas democráticas em Cuba”, disse Kirby, sem dizer se Kerry se reuniria com dissidentes cubanos.

Os manifestantes foram detidos quando se preparavam para deixar suas casas após a tradicional caminhada dominical das Damas de Branco, perto da Igreja Santa Rita, em Miramar, Havana.

“Obama é culpado do que está acontecendo em Cuba, o governo cubano se animou com as negociações com Washington”, declarou o ex-preso político Ángel Moya – marido da líder das Damas de Branco, Berta Soler – ante os demais ativistas em uma praça, minutos antes de ser detido.

“Obama deve impor condições ao governo cubano para que ponha fim à violação dos direitos humanos”, disse Berta à AFP. “Para nós, seria muito importante que, quando Kerry chegar a Cuba para inaugurar oficialmente a embaixada americana (na próxima sexta-feira), possa se reunir com uma representação da sociedade civil cubana.”

Os opositores sabiam que seriam detidos após o movimento, e Moya recomendou aos ativistas que não oferecessem resistência. Nos últimos anos, os dissidentes detidos têm sido libertados horas depois.

Berta denunciou que este é o 17º domingo consecutivo em que o governo comunista cubano reprime as Damas de Branco, grupo mais visível da oposição cubana, ganhador do Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu em 2005.