20/01/2011 - 2:24
Os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre o presidente em fim de mandato do Haiti, René Preval, ao exigir nesta quinta-feira a retirada de seu candidato à presidência, quando a volta ao país do ex-ditador Jean-Claude Duvalier, após 25 anos de exílio, acentua a crise política.
Quase dois meses depois do primeiro turno das eleições presidenciais, cujo resultado definitivo ainda não foi anunciado, a embaixadora americana perante a ONU, Susan Rice, exigiu às autoridades do Haiti “um processo crível que represente a vontade do povo haitiano”.
Perante o Conselho de Segurança, Rice pediu ao Conselho Eleitoral Provisório (CEP) haitiano que “aplique as recomendações da OEA” (Organização de Estados Americanos), que constatou fraudes.
Após supervisionar o processo de contagem de votos – a pedido de Preval -, a OEA recomendou em um relatório a retirada da corrida presidencial do candidato governista, Jude Celestin, que terminou o primeiro turno na terceira posição, enquanto o CEP o situou em segundo lugar.
O popular cantor Michel Martelly, que terminou em terceiro, segundo os resultados preliminares, disputaria assim o segundo turno das eleições com a ex-primeira-dama haitiana Mirlande Manigat.
“Exortamos as autoridades haitianas a definir um caminho muito claro que leve rapidamente à investidura de um governo democraticamente eleito e legítimo”, declarou Rice, que também pediu a criação de um “calendário crível”.
Os resultados preliminares do primeiro turno, anunciados no início de dezembro, provocaram uma onda de violência por parte dos seguidores de Martelly, que denunciaram fraude a favor de Celestin.
Embora seja esperado que Preval abandone o poder no dia 7 de fevereiro, ainda não foi definida a data do segundo turno – prevista para o último domingo, dia 16.
E foi exatamente o dia 16 a data escolhida pelo ex-ditador Jean-Claude “Baby Doc” Duvalier para voltar a Porto Príncipe, após um exílio de 25 anos na França.
Na quarta-feira, um ex-embaixador do Haiti na França – que se declarou porta-voz de Duvalier – anunciou que ele previa recuperar a presidência haitiana mediante a realização de novas eleições.
O ex-ditador desmentiu posteriormente tais declarações em um comunicado.
Martelly, por sua vez, expressou nesta quinta-feira seu apoio à volta do ex-ditador ao país e manifestou seu desejo de convocá-lo como conselheiro de seu governo, caso seja eleito.
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