A maioria republicana na Câmara de Representantes americana, que assume nesta quarta-feira, prepara iniciativas legislativas para endurecer a política migratória, voltando-se para os ilegais.

Da maior mobilização de forças policiais na fronteira ao cancelamento do direito de cidadanía por nascimento em solo americano, os republicanos querem acentuar a política repressiva, embora com poucas possibilidades de sucesso, devido à divisão do Congreso em relação à causa.

O presidente Barack Obama “conseguiu progressos, mas poderia ter feito mais”, declarou o republicano Peter King (Nova York) ao canal Fox de televisão, na véspera de assumir a presidência da comissão de Segurança Interna da Câmara de Representantes.

O governo Obama defendeu uma reforma migratória integral durante dois anos, mas também registrou números recordes de detenções e deportações de ilegais: mais de 392.000 no ano fiscal de 2010 (outubro de 2009 a setembro de 2010), 195.000 dos quais com antecedentes penais (aumento de 20%).

Cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais vivem nos Estados Unidos, onde a última reforma migratória data de 1986, sob a presidência do republicano Ronald Reagan.

Peter King quer que o governo continue posicionando a Guarda Nacional na fronteira com o México, que recomece a usar métodos de vigilância eletrônica e que realize operações em massa em empresas de todo o país.

O governo Obama mobilizou, em agosto de 2010, um total 1.200 efetivos da Guarda Nacional em quatro estados da fronteira sul, entre eles Arizona, onde acontece a maior parte de chegadas ilegais do México.

A iniciativa fez parte de um pacote de medidas suplementares num montante de 600 milhões de dólares.

Todo um sistema de vigilância eletrônica, com radares e sensores especiais, testados durante três anos e a um custo de mais de 1 bilhão de dólares, foi suspenso ano passado, depois da comprovação de numerosos erros.

“Nada fizeram para sustitui-lo”, lamentou King.

“Acho que para a sobrevivência de nosso país temos que garantir o controle de nossas fronteiras”, advertiu em tom solene.

Seu colega Lamar Smith (Texas), presidente da Comissão de Assuntos Judiciais, declarou por sua vez querer ressuscitar um debate sobre a 14ª Emenda da Constituição, aprovada em 1868, garantindo a nacionalidade americana por direito de solo.

Essa emenda foi criticada em anos anteriores por membros mais conservadores do Partido Republicano, por considerar que autoriza abusos dos ilegais com filhos nos Estados Unidos, como tentativa de lutar contra a deportação.

A Câmara de Representantes passou às mãos da maioria republicana, mas o Senado prossegue democrata apesar de pouca margem e qualquer tentativa de levar adiante reformas radicais enfrentaria, em princípio, sua oposição.

O panorama parece mais complicado em nível estatal, onde as vitórias republicanas foram substanciais nos legislativas de 2 de novembro.

Pelo menos sete estados se dispõem a promulgar leis como a polêmica SB 1070 do Arizona, que proclama a imigração ilegal um crime de estado e obriga os funcionarios públicos a denunciar sua presença, segundo a organização Foro Nacional sobre a Imigração.

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