06/10/2015 - 18:53
Os Estados Unidos terão uma modesta aceleração de seu crescimento em 2015 e 2016, graças a menores preços da energia e à melhora do mercado imobiliário – antecipou o Fundo Monetário Internacional (FMI), nesta terça-feira, em seu relatório sobre perspectivas econômicas mundiais.
A expansão econômica americana deve chegar a 2,6% este ano, após os 2,4% de 2014, disse o FMI, que aumentou em 0,1 ponto percentual a estimativa feita em julho.
Em 2016, o crescimento deve se acelerar um pouco, a 2,8%, o que representa 0,2 ponto percentual a menos em relação ao cálculo anterior.
“A retomada dos Estados Unidos seguirá sustentada pelos preços baixos da energia, menores obstáculos orçamentários, balanços mais saudáveis e uma melhora do mercado imobiliário”, explicou o FMI.
O relatório da entidade aponta que esses aspectos positivos compensarão a queda das exportações provocada pela valorização do dólar.
Mais a longo prazo, as perspectivas são medíocres, com uma expansão girando em torno dos 2%, devido ao envelhecimento da população e ao fraco crescimento da produtividade.
A inflação cairá a quase zero em 2015 (0,1%), refletindo os menores custos da energia e a valorização do dólar. Deve subir para 1,1% em 2016, porém, “encaminhando-se gradualmente à meta de longo prazo de 2% do Federal Reserve [Fed, o Banco Central americano]”, detalha o relatório.
Em matéria de emprego, melhoram as condições pata criar novos postos de trabalho. Para 2015, a taxa de desemprego se estabilizará em 5,3% (em setembro já é de 5,1%), e de 4,9%, em 2016, após 6,2% em 2014.
Para o FMI, após sete anos de taxas de juros a quase 0%, a política monetária deve escolher o “bom momento” para realizar o primeiro aumento das taxas e também para encontrar o ritmo para as posteriores elevações.
“As decisões do Comitê monetário do Fed deverão depender dos dados econômicos, e a primeira alta deverá encontrar sinais mais firmes de que a inflação se encaminha para os 2% que o Fed quer”, afirma o FMI.
O relatório não encontra, por enquanto, os indícios de aceleração dos salários e dos preços. O FMI já pediu várias vezes ao Federal Reserve que espere até 2016 para subir pela primeira vez a taxa de juros.
Diante da volatilidade dos mercados financeiros, o Fed deve ter cuidado sobre o modo como comunica suas decisões de política monetária, insiste o FMI.
Assim como outros países ricos, os Estados Unidos devem se concentrar nos investimentos em infraestrutura para sustentar o crescimento e tirar proveito de uma taxa de juros que continua sendo baixa, observa o relatório.