O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, pediu nesta quinta-feira ao Congresso que eleve o teto da dívida pública, dando sinal para o início de uma nova batalha política, relacionada ao forte déficit fiscal do país.

“Se não conseguirmos elevar o limite, isso precipitará a inadimplência nos Estados Unidos”, escreveu Geithner. “Solicito ao Congresso elevar o teto desde o início deste ano, antes que a ameaça de falta de pagamentos torne-se iminente”.

O Congresso havia elevado o teto a 14,3 trilhões de dólares em fevereiro de 2010. A dívida chega atualmente a 13,9 trilhões de dólares, destacou Geithner.

Em maioria na Câmara de Representantes, vários parlamentares republicanos ameaçaram opor-se a um aumento do limite da dívida, reavivando temores de um fechamento temporário de setores inteiros da administração e do governo, como aconteceu em 1995 e 1996.

Na época, o democrata Bill Clinton estava na Casa Branca, e o Congresso era dominado pelos republicanos.

Se o país decretar default de sua dívida, escreveu ele, isso imporia “uma taxa significativa e de longa duração aos americanos e a todas as empresas americanas, acarretando a perda de milhões de empregos no país.

“Mesmo uma moratória curta ou limitada teria consequências econômicas catastróficas que durariam várias décadas”, acrescentou o ministro.

Geithner não propôs o novo teto, deixando ao Congresso a tarefa de resolver esta questão, em função dos compromissos orçamentários assumidos por deputados eleitos ou seus predecessores, informaram os dirigentes do Tesouro à imprensa.

O secretário informou que no caso de não aumentarem o teto, o Tesouro disporia de apenas algumas semanas, não mais, antes de se encontrar efetivamente em situação de default em relação a alguns débitos em vencimento.

O ministério pode, com efeito, tomar algumas medidas extraordinárias, como a de suspender a verba de contribuição à caixa de pensão do funcionalismo, mas Geithner destaca que não deseja chegar aos extremos.

O novo presidente da Câmara de Representantes, o republicano John Boehner, chegou a se pronunciar sobre um aumento do teto da dívida.

“O povo americano não aceitaria isso, a menos que viesse acompanhado de ações construtivas da parte do presidente e do Congresso no sentido de cortas despesas e do fim do delírio de gastos” do Estado federal, informou em communicado.

Funcionários do Tesouro informaram que Geithner realizou várias consultas no Congresso, mostrando-se otimista de que desta vez, como numerosas outras no passado, a questão será resolvida a tempo para evitar um default do Estado federal.

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