28/12/2010 - 10:23
Os consumidores americanos recuperaram o gosto de gastar no Natal, dois anos depois da crise financeira que mergulhou o país na recessão.
As vendas no período registraram um aumento de 5,5% em um ano nos Estados Unidos, uma alta mais forte que a do ano passado, com a volta do entusiasmo para as compras de bens não indispensáveis, segundo um estudo publicado pela SpendingPulse, filial da MasterCard.
“Ano passado, tratava-se de ganhar estabilidade na temporada de festas, mas este ano está em jogo a volta do crescimento”, comentou o vice-presidente da SpendingPulse, Michael McNamara, em comunicado divulgado nesta terça-feira.
Dois anos depois de uma “queda livre” das vendas de Natal (retrocesso de 2,3% em relação às de 2008), SpendingPulse constata uma alta de 5,5%, excluindo as compras de automóveis, no período de 5 de novembro a 24 de dezembro, superando o incremento de +3,6% registrado há um ano.
A boa cifra, baseada na atividade da rede de cartões de crédito Mastercard e estimativas de outras formas de pagamento, foi confirmada nesta terça-feira pelo Conselho internacional de centros comerciais, ICSC. O Conselho prevê, por sua vez, uma alta de pelo menos 4% nas vendas das cadeias de lojas nos Estados Unidos no período novembro-dezembro, o que representaria um bom percentual, “pelo menos desde 2006”.
“O período de festas de 2010 é marcado pelo forte crescimento do setor de vestuário, e a força confirmada nas compras pela internet. Registramos também uma volta remarcável dos gastos com artigos de luxo, ilustrado pelo sólido crescimento das vendas de bijuteria do tipo mais caro e de peças para decoração”, precisou.
Um setor em contração, em relação a outros, é o eletrônico, que cresceu apenas 1,2% no ano – uma tendência que “poderia ser explicada na redução dos preços dos televisores”, revelou a SpendingPulse.
Apenas na semana finalizada no dia de Natal, as vendas aumentaram 4,8% em relação ao mesmo período do ano passado, marcando uma aceleração para o final da temporada.
“As compras de último minuto foram estimuladas pelo fato de as pessoas terem mais dinheiro disponível e um dia a mais para comprar, (o 24 de dezembro caiu num sábado) e mais entusiasmo com as festas em relação aos últimos anos”, destacou o chefe de economistas do ICSC, Michael Niemira, citado em comunicado.
O setor do vestuário subiu 11,2%, beneficiando-se, talvez, do frio que teria encorajado os consumidores a renovar seu guarda-roupa.
Quanto às previsões da meteorologia para dezembro, “não parecem ter tocado o elã das vendas em nível nacional”, segundo a SpendingPulse, lembrando, também, que o comércio on-line”, voltou a pular mais uma vez para mais de 15%.
Ouvido pela AFP na terça-feira, a portavoz da Federação nacional de comerciantes varejistas (NRF), Kathy Grannis, preferiu não fazer estimativas, assinalando, no entanto, que os comerciantes estão otimistas.
Também afirmou que “os dias anteriores ao Natal foram mais ativos”, somando-se às vendas da semana posterior ao Natal que, segundo ela, representam cerca de 15% do total da temporada, e se anunciam igualmente promissoras.
“A neve (na Costa Leste entre domingo e segunda-feira) não foi suficiente para afetar os lucros dos varejistas”, assegurou.
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