O euro se desvalorizou ante o dólar nesta sexta-feira, 19, com os investidores mostrando-se preocupados com a situação da Grécia. O dólar, por sua vez, recuou ante o iene hoje, último dia de uma semana em que a moeda norte-americana caiu ante o euro e o iene, após os anúncios da quarta-feira do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.

No fim desta sexta-feira em Nova York, o dólar caía a 122,67 ienes, de 122,93 ienes no fim da quinta-feira, enquanto o euro recuava a US$ 1,1347, de US$ 1,1369 ontem. O euro chegou a operar abaixo de US$ 1,13 na madrugada de hoje, em meio a preocupações com a Grécia. Ontem, a reunião dos ministros de Finanças da zona do euro terminou sem solução para o impasse entre Atenas e seus credores.

O dólar não conseguiu ganhar força ante outras divisas nesta semana, com mais investidores sem ter a certeza sobre quando o Fed elevará os juros. O banco central reduziu na quarta-feira suas projeções para crescimento no restante deste ano e também suas projeções de taxa de juros para 2016 e 2017.

“Há ainda muita incerteza no mercado em relação à taxa de juros dos EUA, e existe um grande foco nas projeções econômicas, que foram revisadas para baixo”, disse Sireen Harajli, estrategista de câmbio do Mizuho Bank. “Não há muita confiança no dólar neste momento.”

Os investidores estão levando para mais adiante suas expectativas para a primeira alta de juros do Fed, para o fim deste ano ou o início do próximo. Uma alta nos juros levaria investidores a se interessar mais pelo dólar, já que impulsiona ativos denominados nessa moeda.

Para acrescentar mais um elemento à luta do dólar, investidores não têm vendido euros, como uma forma de proteção contra a possibilidade de um default da dívida grega. O risco de Atenas decretar um default em seus empréstimos com os credores internacionais e a potencial saída do país da zona do euro poderiam se mostrar extremamente desestabilizadores para os ativos da zona do euro e a moeda comum, dizem investidores.

“O impasse não está causando pânico nos mercados, já que os investidores parecem dispostos a esperar até 30 de junho”, diz o Crédit Agricole em nota, citando a data em que a Grécia deverá realizar um pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI).