O Parlamento Europeu concedeu nesta quinta-feira o Prêmio Sakharov para liberdade de expressão ao blogueiro saudita Raif Badawi, condenado em seu país a 1.000 chicotadas por “insultar o Islã”, anunciou seu presidente, Martin Schulz.

“Quero agradecer ao parlamento o apoio a esta decisão”, afirmou Schulz ante o plenário, onde denunciou a sentença contra o blogueiro.

“O prêmio Sakharov 2015 vai para @raif_badawi em reconhecimento por seu papel; também é uma mensagem forte ao regime saudita”, escreveu o Partido Verde no Twitter.

Em uma primeira reação à notícia, a esposa de Badawi declarou que o Prêmio Sakharov para seu marido é “uma mensagem de esperança”.

“Quero agradecer ao Parlamento Europeu. Estou muito feliz com este prêmio”, afirmou Ensaf Haidar à AFP, ao agradecer o prêmio dado a seu marido.

Raif Badawi, blogueiro e dono do site liberal Saudi Network, foi preso em 2013 e condenado no final do ano passado a dez anos de prisão e 50 chicotadas por semana durante vinte semanas por “insultar o Islã”.

O saudita recebeu uma primeira sessão de chicotadas em 9 de janeiro. Os castigos seguintes foram adiados por razões de saúde, primeiro, e depois por motivos não especificados.

Segundo Ensaf Haider, refugiada no Canadá, seu marido poderá ser submetido a novas chibatadas nos próximos dias.

O Prêmio Sakharov para a liberdade de expressão, chamado assim em homenagem ao cientista e dissidente soviético Andrei Sakharov, foi criado em 1988 pelo Parlamento Europeu para prestar homenagem a pessoas ou organizações que dedicaram sua vida ou ações à defesa dos direitos humanos e das liberdades.

Na disputa este ano estavam também o opositor russo Boris Nemtsov, assassinado, e a opositora Mesa da Unidade Democrática da Venezuela (MUD).

Em 2014, o médico congolês Denis Mukwege foi premiado em reconhecimento por seu trabalho a favor das mulheres vítimas da violência sexual na República Democrática do Congo.