BRUXELAS, 26 junho 2013 (AFP) – Os ministros europeus das Finanças se reuniram nesta quarta-feira para alcançar um acordo para evitar que os contribuintes paguem pelas crises bancárias, após o fracasso na sexta-feira passada.

 

Para a “Espanha é fundamental chegar a um acordo”, disse em sua chegada a Bruxelas o ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos.

 

A reunião desta quarta-feira é realizada depois de os europeus não conseguirem, na semana passada, chegar a um acordo sobre regras comuns para recapitalizar ou liquidar bancos em dificuldade.

 

Os ministros já definiram quem deverá pagar para recapitalizar ou liquidar um banco e em que ordem: primeiro os acionistas, depois os credores não assegurados, seguidos dos detentores de bônus seniores e em última instância, os depositantes de quantias superiores a 100.000 euros.

 

Contudo, não conseguiram chegar a um acordo sobre o grau de flexibilidade deste mecanismo. França e Grã-Bretanha querem certa flexibilidade, caso a caso, o que permitiria preservar certos atores.

 

A França quer proteger, em algumas circunstâncias, os depositantes individuais e as Pequenas e Médias empresas.

 

Outros países, como Alemanha, querem, ao contrário, que as regras sejam claramente estabelecidas e suficientemente fixas para evitar incertezas e, sobretudo, que os contribuintes públicos não sejam afetados de nenhuma forma.

 

O compromisso deverá ser alcançado entre estas duas posturas.

 

“É importante que tenhamos as mesmas regras e flexibilidade em todos os países”, declarou o ministro holandês e presidente do Europgrupo, Jeroen Dijsselbloem.

 

“O principal problema na semana passada era um problema franco-alemão”, disse um diplomata, que pediu anonimato.

 

Se o acordo for alcançado, os ministros terão dado um passo importante para a criação da união bancária, desejada pela UE para evitar um novo contágio entre a crise bancária e a crise da dívida.

 

Se fracassarem e adiarem as discussões para o segundo semestre, o calendário parlamentar ameaça ser muito apertado para que o texto seja adotado definitivamente antes de maio de 2014, quando serão realizadas eleições europeias.

 

No final de 2012 também foi complicado entrar em acordo sobre o primeiro pilar da união bancária, o mecanismo de supervisão único que deve entrar em vigor no segundo semestre de 2014.