22/06/2015 - 13:42
A organização de polícia Europol anunciou nesta segunda-feira a criação de uma unidade para suprimir as contas nas redes sociais que promovam o jihadismo, com uma atenção particular ao grupo Estado Islâmico (EI).
Operacional a partir de 1º de julho na sede da Europol, em Haia, ela passará pente fino em dezenas de milhares de contas ligadas ao grupo EI e notificará contas problemáticas às redes sociais para que sejam suprimidas, declarou à AFP Rob Wainwright, diretor da Europol.
Ele se recusou a nomear explicitamente Facebook ou Twitter, mas ressaltou que a Europol visará “as redes sociais mas importantes, três ou quatro”.
Uma vez assinaladas, as contas serão excluídas “em algumas horas” pelas redes sociais, segundo Wainwright.
A equipe. formada inicialmente por entre 15 e 20 membros, “combinará o que nós vemos nas redes sociais com fontes mais tradicionais de informação”, indicou Wainwright em uma entrevista telefônica.
O programa terá como alvo figuras-chave do jihadismo nas redes sociais, que publicam milhares de tuítes a fim de atrair novos combatentes para o Iraque e a Síria, bem como mulheres para os jihadistas.
Um estudo recente americano identificou pelo menos 46 mil contas no Twitter, três quartos em língua árabe, ligadas a partidários do grupo EI.
O número de estrangeiros que viajam para o Iraque e a Síria para combater no grupo EI aumentou desde que este declarou um “califado” há um ano.
De acordo com um relatório recente da ONU, cerca de 25 mil combatentes estrangeiros de uma centena de países participam em conflitos em todo o mundo, muitos destes no Iraque e na Síria.
O grupo EI “é a organização terrorista melhor conectada que temos visto na internet”, disse Wainwright: “eles manipulam a internet e as redes sociais, um elemento importante da vida de muitos jovens.”
A Europol pretende se apoiar em uma década de experiência em supervisão de sites extremistas, bem como nas “competências linguísticas, incluindo o conhecimento da língua árabe”, disse Rob Wainwright.