Acessada por ao menos 1,8 milhão de usuários, “Kidflix” armazenava milhares de vídeos em que crianças eram abusadas sexualmente. Conteúdo circulava mediante pagamento em criptomoeda.A polícia no estado alemão da Baviera anunciou nesta quarta-feira (02/04) ter tirado do ar um serviço de streaming de pedofilia acessado por 1,8 milhão de usuários que continha 91 mil vídeos de abuso sexual infantil. Ao todo, 79 pessoas foram presas e 1,4 mil suspeitos estão sob investigação, fruto de um esforço coordenado pela Europol que envolveu 38 países.

Quando a operação foi realizada, a plataforma tinha uma base de 190 mil usuários. Mas somado todo o período desde abril de 2022, início das investigações, 1,8 milhão de contas acessaram a plataforma. A cada hora, mais de três vídeos eram subidos no site, em média.

O acesso ao conteúdo era liberado mediante pagamentos com criptomoedas, e usuários tinham a possibilidade de alimentar o site por conta própria com vídeos.

A maioria dos suspeitos têm idade entre 20 e 40 anos. A polícia alega que muitos não foram parar ali por acaso, pois já frequentariam a dark web – espaço na internet inacessível a leigos – há bastante tempo.

Segundo a Europol, a plataforma operava desde 2021.

Plataforma de pornografia infantil seria uma das maiores do mundo

Segundo a Europol, o Kidflix é uma das maiores plataformas de pornografia infantil que existem, e a operação contra ela demandou a maior mobilização de policiais contra crimes do tipo na Europa.

O vice-presidente da polícia estadual da Baviera, Guido Limmer, afirma que o fim do site é “um grande golpe” contra a pornografia infantil.

Alguns dos suspeitos presos não teriam apenas consumido ou baixado conteúdo do site, mas também abusado de menores e até mesmo bebês, informou Limmer.

A polícia apreendeu diversas mídias que ainda serão avaliadas e poderão levar à prisão de mais suspeitos.

A corporação afirma que dá prioridade nas investigações à proteção de crianças, e que interferiu em 96 casos, ao se deparar com indícios de risco concreto de abuso de crianças. Em 12 casos, os investigadores teriam conseguido interromper um abuso já em andamento.

Foram realizadas operações em 31 países. Na Alemanha, houve 96 buscas em 13 estados; 103 suspeitos estão sob investigação.

O servidor do site foi apreendido com a ajuda de autoridades holandesas em 11 de março. Ainda não se sabe quem operava a plataforma.

ra (AFP, dpa, kna, ots)