A China comemora nesta terça-feira (1º) os 70 anos da criação da República Popular, proclamada pelos comunistas em 1949, com uma série de atos que incluem paradas militares, discursos e outros eventos festivos.

– Um “discurso importante” –

As celebrações desta terça começam com um discurso do presidente Xi Jinping, que também é o líder do Partido Comunista Chinês (PCC).

Espera-se que ele destaque as conquistas do regime comunista (luta contra a pobreza, desenvolvimento econômico, conquista tecnológica), ocultando as questões mais sombrias, como a falta de liberdades civis, os desastres do período maoísta, ou a repressão das manifestações da praça Tiananmen de Pequim, em 1989.

O discurso foi anunciado como “importante” pela imprensa oficial, um termo usado para todos os pronunciamentos do chefe de Estado.

– Mísseis e carros –

O desfile previsto para esta terça reunirá 15 mil militares, 160 aviões e dezenas de mísseis balísticos e armamentos durante quase uma hora na praça Tiananmen, no centro de Pequim.

O presidente Xi Jinping deve assistir ao desfile da muralha sul da Cidade Proibida, mesmo lugar onde o fundador do regime, Mao Zedong, proclamou a República Popular em 1º de outubro de 1949.

Pequim anunciou um desfile “nunca visto” e prometeu apresentar novos tipos de armamento. O ministro da Defesa garantiu, porém, que será uma marcha “sóbria” e com um orçamento “muito inferior” aos dos anos anteriores.

– ‘Carnaval’ –

Depois dos soldados, haverá um grande desfile com 100 mil pessoas e 70 carros, lembrando as conquistas das últimas décadas. Também serão lançados aos céus 70 mil pombas e 70 mil balões, em referência aos 70 anos do regime.

– Artistas e fogos de artifício –

Às 20h (9h em Brasília), a praça Tiananmen, no centro de Pequim, vai acolher durante uma hora e meia um espetáculo artístico com mais de 3.000 participantes e que terminará com fogos de artifício.

– Poluição –

Conhecida pelos níveis de poluição, Pequim vai paralisar suas fábricas, provisoriamente, para tentar ter um céu azul para o evento.

– Cinema –

Os desfiles serão transmitidos ao vivo em 70 cinemas do país, com imagem de resolução 4K e um som cristalino.

– Ruas bloqueadas –

Os habitantes de Pequim enfrentarão as restrições do tráfego e as inúmeras ruas bloqueadas para as cerimônias.

Em setembro, durante todos os finais de semana, os ensaios para a data já provocaram engarrafamentos e tensões entre os moradores e a polícia. Segundo a emissora de televisão oficial, porém, “o conjunto da população de Pequim demonstra seu apoio e é compreensivo”.

– Prédios iluminados –

Há vários dias, projetam-se nos arranha-céus de Pequim imagens animadas com o número 70, lemas patrióticos e textos elogiosos ao Partido Comunista, com muito sucesso nas redes sociais.

– Pombas proibidas –

Muito apreciadas pelos moradores de Pequim, as pombas estão proibidas de voar, assim como drones e cometas. A medida tem como objetivo evitar perturbações aos helicópteros e aos aviões militares do desfile.

– Apenas notícias positivas –

Nas últimas semanas, a imprensa chinesa recebeu instruções para não insistir em notícias negativas, como acidentes, ou catástrofes naturais, e para dar prioridade à “energia positiva”, como repete com frequência o Partido Comunista.

– Filme patriótico –

Nesta segunda-feira, estreia nos cinemas da China “Eu e meu país”, uma filme com orçamento polpudo que reúne dos atores mais conhecidos do momento.

Como acontece a cada vez que uma superprodução elogiando o Partido Comunista é lançada, as empresas estatais organizam idas ao cinema para seus funcionários, gratuitas e obrigatórias. Depois, eles têm a obrigação de redigir um texto sobre suas percepções.