O presidente da Bolívia, Evo Morales, aumentou nesta quarta-feira em 20% o salário mínimo e a remuneração de policiais, militares, professores e pessoal da Saúde, para compensar o reajuste de até 83% aplicado sobre os combustíveis.

Em mensagem à Nação, Morales disse que “já firmou o decreto que aumenta o salário mínimo nacional em 20%”.

Segundo o presidente, também haverá um reajuste de “20% em 2011 para o pessoal da Polícia, Forças Armadas, Saúde e Educação”.

Morales anunciou ainda que os demais funcionários públicos, não beneficiados com o reajuste de 20%, receberão no próximo ano um 14º salário.

Além dos reajustes salariais, o presidente adotou uma série de medidas para incentivar a produção agrícola e os pequenos negócios.

Segundo Morales, a inflação anual é de 7 a 8%, e poderá subir “algo mais” com o reajuste dos combustíveis, mas a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficará abaixo do aumento salarial concedido hoje.

O porta-voz do governo Iván Canelas explicou à AFP que os funcionários do setor privado poderão utilizar o aumento de 20% no mínimo como parâmetro para negociar seus salários.

No domingo passado, a Bolívia anunciou um severo reajuste nos preços da gasolina (83%) e do diesel (73%), com o fim dos subsídios aos combustíveis.

Segundo o governo, os subsídios levavam ao contrabando dos combustíveis para os vizinhos Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Peru, tirando milhões de dólares da Bolívia.

O reajuste dos combustíveis elevou imediatamente os preços de transportes e alimentos no país

afp/LR