O presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou que o “voto de punição à corrupção” provocou a derrota de seu partido em La Paz e El Alto, ao avaliar nesta segunda-feira os resultados preliminares das eleições regionais de domingo.

“Lamento muito que em La Paz tenhamos perdido as eleições, (mas, devido a este resultado, dizer que) Evo Morales perdeu seu reduto, isso é falso”, declarou o governante em uma coletiva de imprensa no presidencial Palácio Quemado.

O presidente admitiu que as acusações de corrupção contra a candidata ao governo de La Paz do Movimento Al Socialismo (MAS), Felipa Hyanca, e o ex-prefeito de El Alto, Edgar Patana, podem ter afetado suas chances.

“São acusações muito fortes no tema da corrupção e se é assim houve um voto de punição à corrupção”, mas além disso “ainda existe machismo e também discriminação a uma mulher indígena, originária”, sustentou.

O MAS perdeu importantes redutos como La Paz e El Alto, até agora nichos eleitorais do presidente Evo Morales, mas conservou quatro de nove departamentos, segundo pesquisas de boca de urna ao término das eleições regionais de domingo.

Em relação aos governadores, o MAS sofreu uma dura derrota no departamento de La Paz, onde o ex-ministro da Educação Félix Patzi, um indígena aimara dissidente do partido de Morales conquistou 52% dos votos, contra 29% da candidata governista Felipa Huanca, de acordo com uma pesquisa da empresa Ipsos divulgada pela imprensa.

Huanca esteve o durante o último mês no olho do furacão por suspeitas de ter se beneficiado de recursos destinados a um fundo indígena, em uma investigação que continua em curso.

“Entendemos que é um recado da população. Avaliamos que isso tem a ver com a nossa dificuldade em formar lideranças locais, tanto no nível departamental, como municipal”, reconheceu o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, em coletiva de imprensa.

Para analistas, ganhar na região de La Paz é, em grande medida, um mecanismo-chave para garantir a tranquilidade política do governo.

A oposição também ficou com o departamento de Santa Cruz, motor econômico do país, onde o empresário opositor Rubén Costas, do Movimento Democrata Social (MDS) conseguiu sua reeleição, com 59,9%. Igualmente, a Unidade Departamental Autonomista (UDA), de Adrián Oliva, venceu em Tarija, com 47,4%.

O governista MAS ficou com 4 departamentos: Iván Canelas (60,1%) em Cochabamba; Juan Carlos Sejas (57,1%) em Potosí; Víctor Hugo Vásquez (55%) em Oruro e Luis Flores (66,3%) em Pando.

Segundo o Supremo Tribunal Eleitoral da Bolívia, Beni e Chuquisaca terão segundo turno no dia 3 de maio, pois os candidatos em primeiro lugar não conseguiram alcançar mais da metade dos votos nem a diferença de 10% sobre o segundo colocado, como exige a lei.

Em outubro, quando o presidente Evo Morales conseguiu sua reeleição, só foi derrotado em Beni, o que evidencia uma relativa perda de apoio.

Para o vice-presidente boliviano, apesar dos resultados, o MAS se consolidou como única força política em nível nacional.

“Há uma única força política em nível nacional e no lado opositor temos várias forças políticas fragmentadas”, acrescentou García Linera.

Para analistas consultados pela AFP, esses resultados não afetarão a estabilidade de Morales, reeleito no ano passado com 61% dos votos para um terceiro mandato de cinco anos, nem sua maioria do Parlamento, o que garante sua governabilidade.

No que se refere a municípios, na cidade de El Alto, a opositora Soledad Chapetón, do partido do empresário Samuel Doria Medina (centro-direita) obteve 55% dos votos válidos sobre o governista Edgar Patana (28%), que buscava a reeleição.

Chapetón, uma jovem professora de 34 anos, quebrou a hegemonia do partido do presidente Morales ba cidade.

Cidade vizinha de La Paz, El Alto era o principal bastião eleitoral de Morales, que não perdia eleição no local desde 2005.

A prefeitura de La Paz, contudo, permanece nas mãos do social-democrata Luis Revilla, aliado do atual governador eleito de La Paz, Félix Patzi.

Cerca de seis milhões de bolivianos foram convocados para eleger nove governadores e mais de 4.000 autoridades regionais e municipais. Os resultados oficiais começam a ser divulgados na manhã desta segunda-feira, segundo um informe oficial do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE).

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