O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, enviado em “missão de emergência” pela União Africana, chegou neste domingo a Abidjan para tentar encontrar uma solução para a grave crise pós-eleitoral instalada na Costa do Marfim.

A chegada de Mbeki constitui uma exceção ao fechamento das fronteiras do país decidido pelo exército. Ele foi recebido pelos serviços diplomáticos sul-africanos, na ausência dos oficiais marfinenses.

Mbeki deve se encontrar com os protagonistas da crise originada na eleição persidencial de 28 de novebro.

O atual presidente Laurent Gbagbo foi formalmente investido no sábado no cargo de Presidente da República, em cerimônia transmitida pela televisão, apesar da rejeição internacional a sua controvertida vitória eleitoral.

Ao mesmo tempo, Alassane Ouattara, adversário de Gbagbo, nas presidenciais de 28 de novembro, também prestou juramento, “na qualidade de presidente da República da Costa do Marfim”, em carta enviada ao Conselho Constitucional do país.

O manuscrito foi endereçado ao presidente do Conselho Constitucional, Paul Yao N’dré, que invalidou os resuldados anunciados pela Comissão Eleitoral Independente que davam Ouattara como vencedor.

Após a cerimônia, Gbagbo denunciou as “interferências estrangeiras” num momento em que a ONU, os Estados Unidos, a União Europeia e França contestam sua reeleição.

A Costa do Marfim mergulhou numa crise depois que o Conselho Constitucional proclamou a vitória de Gbagbo nas eleições de 28 de novembro, que, segundo a comissão eleitoral e a ONU, foi vencida por Alassane Ouattara.

No poder desde 2000, Laurent Gbagbo foi reeleito presidente com 51,45% dos votos, contra 48,55% dados a seu rival, segundo resultados definitivos do segundo turno anunciados pelo presidente do Conselho, Paul Yao N’Dré, para a imprensa.

O Conselho Constitucional, liderado por um amigo do chefe de Estado, invalidou os resultados provisórios divulgados na quinta-feira pela Comissão Eleitoral Independente (CEI), que dava ao ex-primeiro-ministro Alassane Ouattara uma ampla vitória, por 54,1% contra 45,9%.

Isso foi feito “anulando” os votos em sete departamentos do norte, sob o controle do ex-movimento rebelde Forças Novas (FN) desde o golpe fracassado de 2002, e onde, segundo o grupo de Gbagbo, as eleições foram “fraudulentas”.

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