Para a maioria das pessoas, os executivos consomem seus dias discutindo negócios milionários, tomando decisões importantíssimas e comandando, com voz firme e decidida, equipes de alto nível. Enfim, são uma espécie de super-herói de terno e gravata. Vista de perto, porém, a realidade é diferente, bem diferente. Em geral, os homens de negócios vivem mergulhados em situações de angústia, pressionados pelos resultados e incapazes de resolver todos os problemas que desabam sobre sua mesa. Pior: eles não têm com quem falar sobre isso. Afinal, como comentar com o colega ao lado ou com amigos assuntos estratégicos para a companhia? Por isso, eles estão correndo para o divã ? não o tradicional divã freudiano, mas sim o aconselhamento profissional. Sentado em frente a eles, não está um psicólogo ou analista, mas sim um consultor de negócios, com experiência e formação suficientes para conversar sobre os mais variados temas do mundo corporativo. ?Nunca tivemos tanta procura?, diz Stella Angerami, que com a irmã Fernanda presta esse tipo de serviço. ?Hoje, as próprias empresas encaminham seus gerentes e diretores para nosso escritório?, afirma Rosa Bernhoeft, outra especialista no assunto. ?Nunca isso acontecia.?

Nunca houve tanta procura porque nunca houve tanta pressão no ambiente de trabalho. ?As empresas cortaram muitas vagas?, diz Rosa. ?Quem ficou está trabalhando mais e sendo mais cobrado por resultados.? É um drama que atinge a todos, do estagiário ao presidente. ?Quanto mais alta a posição, maior a solidão?, afirma Stella. ?É a solidão do poder.? O empresário Daniel Mendez montou em apenas 12 anos a segunda maior empresa de serviços de alimentação do País, a Gran Sapore. Hoje, emprega 8,5 mil pessoas e administra 700 restaurantes, onde são servidas 400 mil refeições diárias. Com índices de crescimento de 30% a 40% anuais, a Gran Sapore atinge um faturamento de US$ 100 milhões.

Único dono, Mendez criou uma empresa à sua imagem e semelhança. Até que ele ganhou um sócio ? um sócio e tanto. O BNDES. O banco colocou R$ 20 milhões e ficou com 20% do capital votante. A Gran Sapore terá que lançar ações em bolsa. ?De um dia para o outro, comecei a discutir as decisões antes de tomá-las?, explica. Ele não tinha o hábito de preparar relatórios financeiros detalhados. Nem prestava contas. Sem saber como se virar na nova situação, foi parar no escritório das irmãs Angerami. Saiu dali com um plano
de reestruturação da empresa. Colocou um novo executivo no comando da área financeira. Dos seis diretores, três foram substituídos. Um conselho de administração foi criado. A data de abertura de capital, definida: meados de 2006.

Mendez é um cliente típico do aconselhamento. Ele tinha uma necessidade específica, bem definida. ?Não trabalhamos em situações de angústia profissional vaga?, afirma Stella. ?Esses casos são mais indicados para um psicólogo. Por isso, nosso trabalho não dura mais de três meses, ou doze sessões.? Um trabalho que custa R$ 9 mil. ?Conselho é bom e nós cobramos?, brinca Stella.

O caso de Paula Adde mostra por que o aconselhamento profissional tem ganhado ibope. Formada em Administração de Empresas, ela passou os dois últimos anos nos EUA, trabalhando em uma corretora de valores. Quando voltou ao Brasil, ignorando proposta para estender seu contrato por outros dois anos, não sabia mais como procurar emprego por aqui. ?Eu tinha o mapa, faltava a bússola?, compara ela. ?No período em que fiquei fora, o País mudou muito. Eu não sabia sequer quanto pedir de remuneração.? Com a ajuda de Stella, ela listou cada posição que ocupou em sua carreira e as habilidades que adquiriu. E chegou a uma conclusão: o ideal seria assumir uma posição de topo em um negócio em fase de implantação no Brasil. Na semana passada, Paula acertava os últimos detalhes para ser a manda-chuva da área financeira de uma multinacional asiática que está desembarcando por aqui.

Nada, porém, derruba um executivo como o tropeço na carreira. Anos atrás, João Rabello era o homem número dois do Banco Excel, abaixo apenas do controlador, Ezequiel Nasser. Resolveu mudar de time quando o Excel comprou o Banco Econômico. ?Sabia que o negócio não seria bem-sucedido?, diz. Por isso, ele foi para o Banco Zogbi em uma posição inferior à que tinha. Resultado: ?Minha auto-estima caiu e cheguei a duvidar de minha própria capacidade.? Saiu à caça de um aconselhamento e percebeu que tinha em sua agenda o bem mais precioso para achar uma posição à altura de sua experiência. Por indicação de Cássio Casseb, atual presidente do Banco do Brasil, foi contratado como principal executivo do Banco Fibra, das famílias Rabinovich e Steinbruch. Encontrou uma instituição centrada no crédito ao consumidor e transformou-a em um banco para médias empresas. De 600 pontos-de-venda, sobraram dois escritórios. O número de funcionários caiu de 1,2 mil para 240. A missão entregue pelos acionistas foi cumprida. ?Encontrei o caminho de realização profissional no meio de minha angústia?, diz ele.