Com o apoio da coalizão internacional, as forças iraquianas preparam uma grande ofensiva terrestre para expulsar o grupo Estado Islâmico das regiões que ocupa ao norte e a oeste de Bagdá, onde dois atentados suicidas deixaram 40 mortos em três dias.

Embora a capital iraquiana esteja a salvo de ataques de grande porte do grupo jihadista, continua sendo atingida por atentados suicidas como o que matou nesta segunda-feira 14 pessoas em um bairro de maioria xiita.

No sábado, 23 pessoas morreram em um ataque similar em Bagdá, onde permanece o levantamento do toque de recolher noturno, cujo fim foi comemorado pelos habitantes como uma libertação.

Após seis meses de bombardeios aéreos no Iraque, primeiro por parte dos Estados Unidos e depois da coalizão internacional, e após alguns êxitos em terra que foram significativos, mas limitados geograficamente, o exército iraquiano lançará uma campanha terrestre nas próximas semanas.

O anúncio foi feito em Amã pelo coordenador americano da coalizão, John Allen, que declarou que as forças aliadas darão um importante apoio em potência de fogo.

Segundo o secretário americano de Estado, John Kerry, a coalizão antijihadista, que realizou ao menos 2.000 incursões no Iraque e na Síria desde sua implementação, em setembro, já deu seus frutos, já que permitiu recuperar um quinto do território controlado pelo EI.

Os ataques aéreos “privaram os insurgentes da utilização de mais de 200 infraestruturas de gás e petróleo (…), perturbaram a cadeia de comando dos jihadistas (…), colocaram pressão sobre suas finanças e dispersaram suas forças”, disse Kerry na conferência de segurança de Munique, na Alemanha, neste fim de semana.

Membro da coalizão que bombardeia o EI na Síria, a Jordânia aumentou seu envolvimento na luta contra os jihadistas desde o anúncio da terrível execução de um de seus pilotos, capturado em dezembro.

Amã, que diz ter destruído 56 alvos dos extremistas em três dias (20% de sua capacidade de combate), também bombardeou o Iraque, sendo o primeiro árabe a fazê-lo neste país.

Os Emirados enviaram no domingo à Jordânia um esquadrão de aviões F-16 para apoiar este país irmão nos bombardeios contra o EI na Síria e no Iraque.

O grupo sunita ultrarradical Estado Islâmico é acusado de crimes contra a humanidade e limpeza étnica nos territórios que controla na Síria e no Iraque.

Desde o início do mês, foram encontradas duas fossas comuns com vinte homens, mulheres e crianças da minoria yazidi em cada uma, no norte do Iraque.

A Síria, por sua vez, vai rejeitar qualquer intervenção de tropas terrestres em seu território para combater o grupo jihadista Estado Islâmico, segundo declarou o ministro das Relações Exteriores Walid Mualem.

Mualem assegurou que a Jordânia não respondeu a um pedido sírio para coordenar esforços contra o EI, depois do anúncio da execução do piloto jordaniano em mãos do grupo jihadista.

“Não permitiremos nenhuma violação de nossa soberania”, enfatizou, ao comentar as informações da imprensa sobre uma possível entrada de tropas estrangeiras na Síria.

O regime de Bashar Al Assad luta há quatro anos contra uma rebelião interna, mas o conflito ficou em parte ofuscado pela ascensão de grupos jihadistas como o EI, que atualmente controla grandes partes da Síria e do Iraque.

Os combatentes curdos retomaram o controle de um terço dos povoados que cercam Kobane, depois de expulsar o EI no fim de janeiro desta cidade fronteiriça com a Turquia, embora 200 localidades sigam nas mãos dos jihadistas, segundo uma ONG.

Por outro lado, ao menos 15 pessoas perderam a vida nesta segunda-feira em bombardeios do regime sírio contra Duma, cidade controlada pelos rebeldes perto de Damasco, segundo a mesma fonte, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede na Grã-Bretanha.

Mais de 210.000 pessoas morreram na Síria desde o início do conflito em março de 2011.