Uma nova experiência está sendo preparada nos laboratórios da Rhodia, gigante do setor químico. Não se trata de nenhuma fórmula mágica desenvolvida por seus cientistas para o mercado de plástico ou a indústria de medicamentos. O laboratório em questão é a sala do conselho da empresa, o cientista é Jean-Pierre Tirouflet, presidente mundial, e a experiência é a maior reestruturação que a Rhodia já sofreu, desde que se tornou independente da Rhonê-Poulenc, em 1998. Sob o comando de Tirouflet, a multinacional vai gastar US$ 132 milhões para fazer uma imensa faxina interna. De saída, o executivo vai reformar a área industrial. Quer concentrar a Rhodia apenas nas atividades mais lucrativas, como química fina e farmacêutica. No mês passado, por exemplo, anunciou que irá fechar as portas de uma fábrica de detergentes no Reino Unido e mais duas plantas nos Estados Unidos e Canadá. Tirouflet também pretende reduzir 30% da área corporativa e diminuir os custos em cerca de 20%. Resumindo: a ordem do chefe é enxugar. Tudo para acabar com a safra de prejuízos que vive o conglomerado. ?Em 2003, vamos ter lucro?, prometeu Tirouflet, em entrevista exclusiva a DINHEIRO. ?A reestruturação vai tornar a Rhodia mais eficiente.? No último trimestre, a empresa apresentou um prejuízo de US$ 7,1 milhões contra um lucro de US$ 67 milhões no mesmo período do ano passado. As vendas recuaram 1,5% e o valor das ações estão nos níveis mais baixos dos últimos dois anos. Uma decepção, considerando que a ?nova Rhodia? foi criada para ser um sucesso.

A reforma geral, prevista inicialmente para durar três anos, foi antecipada e deverá estar concluída em 2002. O tom de urgência é fruto da desaceleração mundial, sobretudo nos EUA, que retraiu a demanda pelos produtos da empresa. Na outra ponta, o preço do petróleo está nas alturas, reduzindo ainda mais a margem de lucro. ?Tivemos que agir rapidamente, em face das condições econômicas?, diz Tirouflet. O consolo para ele é não ser a Rhodia a única a amargar prejuízos. Basf e Bayer enfrentam o mesmo problema. A grande fonte de recursos virá do corte de pessoal. Assim como a concorrente holandesa, Akzo Nobel, que eliminou 2 mil postos há duas semanas, a Rhodia está preparando uma degola mundial, concentrada nas unidades francesas e americanas. Hoje, são 23,5 mil funcionários espalhados nas 100 fábricas em todo mundo. Embora Tirouflet desconverse, o Brasil também pode estar na mira. E nesse sentido a Rhodia-Ster, que amarga contínuos saldos vermelhos, pode ser o alvo preferido. A divisão da filial brasileira produz a resina PET, plástico utilizado na fabricação de garrafas de refrigerante. Como o próprio executivo reconhece, ela não faz parte do foco de negócios da empresa, estratégia que muitas indústrias do setor estão adotando. ?Mas não vamos vender a Rhodia-Ster abaixo do preço de mercado?, diz ele. Resta saber até quando a divisão irá resistir à reestruturação.