08/02/2026 - 8:00
As exportações brasileiras de ouro em janeiro saltaram 102,9% na comparação com o mesmo mês de 2025, ultrapassando a marca de US$ 820,3 milhões. Trata-se do maior valor do metal embarcado em um único mês desde o início da série histórica em 1989, superando os US$ 815 milhões registrados em dezembro de 2025.
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O recorde mensal foi registrado no mesmo mês em que o preço internacional do ouro chegou ao seu maior patamar na história. Em 29 de janeiro, a cotação ultrapassou US$ 5,6 mil (mais de R$ 29 mil) por onça (31,1 gramas), em meio à escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã.
Em 30 de janeiro, o preço do metal recuou mais de 9,8%. Foi a maior queda em um único dia desde 1983. Apesar do movimento de queda persistir desde então, o valor de US$ 4,9 mil nas negociações de sexta-feira, 6, ainda é um patamar considerado elevado. A marca de US$ 5 mil por onça foi batida pela primeira vez em janeiro.
No ano de 2025, o ouro teve sua maior valorização anual, disparando 64%. O valor das reservas internacionais do metal mantidas pelo Banco Central passou de US$ 11,7 bilhões em ouro em janeiro de 2025 para US$ 23,9 bilhões em dezembro.
Por que a cotação do Ouro disparou?
Por trás do aumento do preço do metal está um movimento de substituição do dólar como reserva de segurança em diversas partes do mundo.
“A alta acumulada nos últimos anos tem sido sustentada pela troca de títulos do Tesouro americano por ouro nos balanços de bancos centrais, movimento que continua em curso e ainda sinaliza continuidade”, explica o economista Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Nas palavras do economista Fabio Ongaro, vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam) e CEO da Energy Group, o ouro “sobe porque o sistema financeiro global se tornou excessivamente concentrado em um único eixo, o dólar, e começa, lentamente, a buscar saídas. Não por pânico imediato, mas por cálculo estratégico”.
Apesar das quedas registradas desde a máxima histórica, Cruz acredita que ainda há fundamentos para novas altas na cotação do ouro no médio prazo.
Volume exportado pelo Brasil também cresceu
O valor das exportações brasileiras de ouro foi beneficiado também por um crescimento de 15,4% na quantidade embarcada em janeiro de 2026 na comparação com 2025. Foram 6,8 toneladas, contra 5,9 registradas um ano antes.
A quantia ainda está bastante distante no entanto do recorde de volume de exportações de ouro em um único mês, registrado em setembro de 2001, quando o Brasil enviou 248 toneladas do metal ao exterior.
CEO e sócio-fundador da MA7 Negócios, André Matos explica que a redução no volume exportado está relacionada a uma produtividade menor. Nas décadas de 2000 e 2010, o país expandia suas atividades de mineração, com a exploração de novos depósitos de ouro.
“Nas últimas décadas, as políticas ambientais mais rigorosas e as limitações operacionais em algumas das minas mais produtivas contribuíram para a diminuição do volume de ouro extraído”, diz Matos. “A mudança no perfil das exportações também reflete um foco maior na qualidade do produto, com um mercado cada vez mais demandante por ouro refinado”, segue.
Veja os destinos do ouro brasileiro em janeiro de 2026
O Canadá foi o principal comprador de ouro brasileiro no mês, seguido pela Suíça e o Reino Unido, conforme mostra a tabela a seguir:
| # | País | Valor (R$) | Volume (Kg) |
| 1 | Canadá | 298.320.010 | 2.457 |
| 2 | Suíça | 265.057.730 | 2.536 |
| 3 | Reino Unido | 107.669.858 | 749 |
| 4 | Emirados Árabes Unidos | 81.333.396 | 576 |
| 5 | Alemanha | 35.987.806 | 275 |
| 6 | Índia | 16.685.357 | 118 |
| 7 | Itália | 10.315.029 | 71 |
| 8 | Estados Unidos | 4.962.206 | 48 |
| 9 | Portugal | 958 | 3 |
| 10 | Hong Kong | 11 | 0 |
| 11 | Panamá | 9 | 5 |
(*com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo)
