No Sul de Minas Gerais, a cidade de Passos, de pouco mais de 100 mil habitantes, passou a ser o berço do projeto industrial que mais trouxe impacto na história do município – e, em anos, deverá ser uma das plantas que mais produz para a Heineken em nível global.

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Fruto de um investimento de R$ 2,5 bilhões, a fábrica da Heineken produzirá um volume de 5 milhões de hectolitros ao ano – volume equivalente a 500 milhões de litros. Contudo, o projeto já nasce com expectativa de expansão e, em anos, deve integrar o rol das cinco maiores fábricas da cervejaria em todo mundo.

Isso porque atualmente somente há em operação 1 das 3 naves que cabem na planta fabril. Ou seja, em capacidade máxima a fábrica será capaz de produzir 15 milhões de hectolitros anuais, ou 1,5 bilhão de litros.

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Leonardo Pereira, diretor da região Sudeste da companhia, comenta que atualmente se contam nos dedos de uma mão as fábricas que conseguem chegar neste patamar.

“Hoje ela ainda não é a maior do Brasil. Nessa primeira fase, a fábrica de Passos nasce com 5 milhões de hectolitros, mas na sua fase final ela passa a ser a maior cervejaria do grupo no Brasil, ultrapassando Ponta Grossa (PR)”, conta, em entrevista à IstoÉ Dinheiro.

O executivo destaca que, a despeito de um cenário macroeconômico tempestuoso, a operação global da companhia segue confiante no Brasil – atualmente o maior mercado da empresa, representando praticamente o dobro dos EUA em colume.

“Todo investimento do grupo no Brasil, e no mundo também, visa sempre o longo prazo. Tudo que nós construímos não é para o curto prazo. A nossa visão do longo prazo, ela não muda. A gente continua acreditando no mercado cervejeiro brasileiro, a gente continua acreditando nos nossos consumidores e a nossa estratégia de mercado, e Passos é uma estratégia muito sólida, assim como os nossos planos de expansão.”

Heineken; Fábrica
Fábio Rezende

Boa parte do volume produzido ficará em solo mineiro, ainda que uma fatia percentual menor seja destinada para o restante do Sudeste e uma pequena parte do Estado de Goiás.

Inicialmente, a produção será somente de cervejas Heineken e Amstel, visando a estratégia de cervejas premium e puro malte. O plano de expansão deverá fazer com que outros rótulos da companhia, como a Eisenbahn, também passem a ser fabricados em Passos.

A fábrica é a primeira greenfield da Heineken no Brasil – termo técnico para designar quando um projeto é feito do zero. Desde a terraplanagem até a inauguração, nesta quinta-feira, 6, foram pouco mais de três anos.

Além disso, o projeto representa um marco para o grupo de origem holandesa: faziam cinco anos que a companhia não inaugurava nenhuma fábrica em nenhum lugar do mundo.

O investimento bilionário no Brasil não é à toa. Além de ser a geografia mais importante em todo o mundo para o Grupo Heineken, a dominância das marcas do portfólio aumentou ano a ano desde que a empresa decidiu entrar no país, em meados de 2010.

A empresa ostenta liderança no segmento segmento de puro malte, com 66,5% de market share em 2025 até então, ainda mostrando um crescimento ante os 62% do ano anterior.

Esse crescimento acompanha o salto no segmento de cervejas premium, que saiu de 4% em meados de 2012 para atuais 24% – sendo que ocorreu um aumento de 4 pontos percentuais (p.p.) de 2024 para 2025.

Desde 2019 a empresa investiu R$ 6 bilhões no Brasil, incluindo os R$ 2,5 bilhões desta fábrica localizada em Minas Gerais – e outras cifras como R$ 1,5 bilhão para fábrica de Ponta Grossa (PR), que produz 9 milhões de hectolitros anuais.

A fábrica ‘mais verde’ da Heineken

Mantendo o ESG como uma das prioridades, a fábrica almeja ser referência global no que tange ao consumo de água. O parque fabril opera com energia proveniente de fontes renováveis, utiliza caldeiras de biomassa para geração de energia térmica e conta com sistemas avançados de reaproveitamento de água – que conseguem cortar em 30% o consumo hídrico por hectolitro produzido. Além disso, todo o efluente é tratado integralmente.

O aspecto ESG, além disso, se conecta com o foco na população regional.

Breno Aguiar, Gerente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social relata que 60% do consumo de água da cidade de Passos está atrelado ao Ribeirão Bocaina, que abrange uma área de 457,9 km²

“Você tem comunidades rurais morando às margens dessa bacia hidrográfica. Nos promovemos melhorias. Víamos onde existia um proprietário rural que não tinha esgoto, e então a Heineken foi até lá para implementar biodigestores”, disse, em coletiva de imprensa na quarta-feira, 5.

Heineken; Fábrica
Fábio Rezende

A iniciativa foi batizada de Projeto Bocaina, e apoia propriedades rurais na proteção de nascentes e recarga hídrica, além de parcerias com a SOS Mata Atlântica.

No mesmo sentido, por a cidade ser um polo moveleiro e ter problemas relativos aos rejeitos, a fábrica passou a coletar cavaco de madeira de fornecedores para reaproveitá-los em suas duas caldeiras de biomassa – equipamentos que geram calor e vapor a partir da queima de combustíveis orgânicos renováveis.

O projeto também injetou cifras expressivas na economia local.

“Tivemos um total de 15 grandes contratos, além de dezenas de companhias subcontratadas. Chegamos a ter um pico 2,3 mil pessoas trabalhando aqui. Isso mobilizou 200 alojamentos na cidade”, comenta o diretor de projetos da cervejaria no Brasil, Sanção Lamas.

No total, a empresa estima um total de 7 milhões de homem-hora para o projeto.

O repórter viajou a convite da Heineken