A LG vendeu a fábrica que tinha em Taubaté (SP) para a São José Desenvolvimento Imobiliário 120. A fábrica foi um dos principais marcos industriais do Vale do Paraíba por mais de duas décadas, servindo como a única unidade da LG no Brasil a produzir smartphones. Entretanto, já não operava como fábrica há alguns anos, servindo para outras atividades da companhia. Há cerca de quatro anos haviam especulações sobre o futuro do imóvel industrial.

Ao que tudo indica, agora o destino da antiga fábrica da LG está selado – com base nas regras do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a operação está em fase de concretização, mas tecnicamente a LG já vendeu o ativo, dependendo agora apenas da aprovação regulatória final para a conclusão formal do negócio.

A planta, que pertencera à LG Electronics e estava desativada desde o fechamento das atividades em 2021, foi adquirida em um contrato de compra de ativos celebrado em 6 de janeiro de 2026. Ela será convertida em um complexo logístico – um movimento estratégico considerando a forte demanda por galpões e centros de distribuição ao longo da Via Dutra, a principal ligação rodoviária entre as regiões metropolitana de São Paulo e o Rio de Janeiro.

O valor da transação não foi divulgado publicamente pelas partes envolvidas.

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Ao Cade, as partes argumentaram que a transação não suscita preocupações relevantes de mercado, pois não envolve integração vertical ou horizontal significativa entre os negócios das empresas envolvidas. Além disso, parte do imóvel poderá ser objeto de um contrato de sale-lease-back, o que significa que a própria LG poderá continuar a ocupar parte do ativo por prazo estendido.

A paralisação da planta fabril da LG

O imóvel da LG em Taubaté já havia sido esvaziado progressivamente antes de sua paralisação total em 2021, quando a empresa, em consonância com sua estratégia global, descontinuou a produção de celulares – um segmento em que enfrentava dificuldades e acumulava prejuízos há vários trimestres. Desde então, a planta ficou subutilizada, transformando-se em um ativo ocioso que passou a ser alvo de debates sobre seu destino.

Em 2024, autoridades estaduais demonstraram interesse em atrair investimentos para o terreno, inclusive por meio da agência de promoção de investimentos InvestSP, mas sem resultados concretos naquela época. A história da planta fabril se insere em um contexto mais amplo de transformações industriais no Brasil nos últimos anos, marcadas por reestruturações de grandes empresas e mudança de foco para áreas mais lucrativas ou estratégicas.

A saída da LG dos segmentos de celulares, por exemplo, refletiu dificuldades enfrentadas globalmente pela empresa no competitivo mercado de smartphones, dominado por fabricantes que detêm grandes fatias de participação global. Esse movimento não foi isolado. A própria Ford, por exemplo, encerrou suas operações industriais no Brasil e vendeu seus ativos em Taubaté em 2022, também para o Grupo São José, que transformou aquele terreno em ativo imobiliário.

A fusão de velhas fábricas em novos usos imobiliários ou logísticos ilustra uma tendência de reocupação de terrenos industriais subutilizados, embora não sem desafios relacionados à transição de mão de obra e adaptação do tecido econômico regional.

Quem comprou e o que se espera do novo uso

A compradora, São José Desenvolvimento Imobiliário 120 Ltda., faz parte do Grupo São José, um player significativo no setor de construção civil e desenvolvimento imobiliário no Brasil. A empresa atua na construção de edifícios residencial e comercial, no planejamento e execução de loteamentos e na administração de obras e infraestrutura.

Esse histórico de atuação alinhado ao mercado imobiliário sugere que a transformação do ativo – que hoje ocupa uma extensa área industrial às margens da Dutra – em um complexo logístico tem fortes bases de mercado. A região do Vale do Paraíba, por sua localização estratégica, é reconhecida como um eixo importante para operações de distribuição e armazenagem, justamente pela proximidade com grandes centros de consumo e escoamento de mercadorias.

Apesar das expectativas, não há data definida para o início das obras nem cronograma oficial de implantação do empreendimento logístico. A concretização dependerá de uma série de etapas, como obtenção de licenças ambientais, estudos técnicos e aprovação de projetos junto às autoridades municipais e estaduais.