13/07/2005 - 7:00
Um modelo de negócio proposto por fábricas da China a vários clientes em todo o mundo está sendo descoberto por empresas brasileiras. A equação é simples. Os chineses alugam as linhas de produção locais para quem estiver interessado em fabricar qualquer tipo de produto a preços bem competitivos. Companhias nacionais do setor têxtil, de eletrônicos, autopeças e confecções estão pedindo com mais frequência informações à Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, que tem escritórios em todo o Brasil e em cidades industriais importantes da China. ?Essa tendência mostra como o empresário brasileiro está se internacionalizando?, afirma Carlos Augusto Meinberg, vice-presidente da Câmara de Comércio.
O interessante no modelo chinês é que cada produto deixa a linha de produção com a marca do cliente que contratou o serviço. As empresas do País asiático não fazem questão de colocar a própria marca nos itens fabricados. Os produtos ficam entre quatro a dez vezes mais baratos para companhias americanas. Para os fabricantes brasileiros, a operação também se mostra lucrativa. Mesmo a uma distância de 22 mil quilômetros dos centros produtores, os brasileiros contratam os serviços de unidades industriais que conseguem recursos a uma taxa de 2,5% de juros ao ano e pagam uma carga tributária de 15% do Produto Interno Bruto. O ponto negativo para a economia brasileira é a transferência para a China de postos de trabalho que acarreta no aumento do desemprego local. ?A cada semana recebo de três a quatro pedidos de empresários?, diz Meinberg.
Na área de eletrônicos, por exemplo, os chineses são especialistas na produção em massa de laptops. Grandes fábricas, como a Compal, fazem as máquinas e colocam as marcas de seus clientes em todo o planeta. Cerca de 95% de todos os notebooks produzidos no mundo são feitos por oito fabricantes chineses. A Positivo Informática, com sede no Paraná e que está entre os cinco maiores fabricantes de informática do País, é um cliente antigo desse modelo chinês. A empresa importa com sua marca da China todos os 50 mil teclados, mouses, memórias e fontes de alimentação dos seus computadores. ?Fabricar lá, sem dúvida, é bem mais barato?, diz Helio Rotenberg, presidente da Positivo. O gato chinês está tão preocupado em relação às marcas que pressionou os fabricantes locais a exportar mais com marcas nacionais, que representam menos de 10% dos negócios com o exterior, cuja receita anual é de US$ 600 bilhões.