LOS ANGELES – Uma falha no motor da espaçonave Starship, da SpaceX, durante seu 14º voo de teste orbital não tripulado, pode complicar o cronograma da Nasa para futuras missões de astronautas à Lua. O incidente, ocorrido recentemente, levanta questões sobre a capacidade da agência espacial de cumprir seus ambiciosos planos de retorno ao satélite natural até 2028.

O que aconteceu

  • A falha Starship, que desativou um de seus motores Raptor durante o 14º voo de teste, encurtou a missão da espaçonave.
  • O problema técnico da Starship pode atrasar os planos da Nasa de enviar astronautas à Lua como parte do programa Artemis, inicialmente previsto para 2028.
  • O revés impacta tanto as ambições comerciais da SpaceX, que inclui a expansão da rede Starlink, quanto a concorrência com a Blue Origin no desenvolvimento de módulos lunares.

Apesar de a Starship ter cumprido vários objetivos-chave em seu último lançamento de teste, realizado em uma segunda-feira no Texas, a missão foi encurtada em várias horas devido a uma falha em seu sistema de propulsão.

Mesmo com a desativação inesperada de um de seus três motores Raptor principais após a separação da Starship do foguete impulsionador do estágio inferior, os controladores de voo prosseguiram com o envio da espaçonave à órbita para seu primeiro lançamento comercial de satélite.

Determinar o que causou a falha no motor continua sendo fundamental para os resultados financeiros da SpaceX. No entanto, os riscos são potencialmente maiores para a Nasa, já que um veículo de pouso lunar da Starship dependeria do mesmo sistema de propulsão para transportar astronautas pelo espaço de e para a superfície lunar.

Qual a gravidade da falha no motor?

A extensão do revés para o progresso do desenvolvimento da Starship depende se o ocorrido foi “uma falha pontual de uma única peça” ou se aponta para um problema de projeto mais amplo que exigiria atualizações “em toda a frota”, conforme explicou Dean Sladen, engenheiro aeroespacial da Accu Components.

“Qualquer reparo no motor que atrase os próximos voos, incluindo a tentativa planejada de capturar a nave com os braços da torre de lançamento (após a reentrada), prejudica esse cronograma”, disse ele.

A Nasa e a SpaceX não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters sobre o incidente.

Um atraso mais prolongado representaria não apenas um revés maior para as ambições comerciais da SpaceX de expandir rapidamente sua rede de satélites de banda larga Starlink, mas também para seu papel fundamental no programa lunar Artemis da Nasa.

“A verdadeira pressão é a Lua. A Nasa precisa da Starship para a Artemis 3”, afirmou Sladen, referindo-se a uma missão de teste em órbita terrestre prevista para já no próximo verão (no Hemisfério Norte) como um voo de ensaio para o primeiro pouso lunar tripulado do programa.

Histórico de problemas com motores raptor

Problemas com o motor Raptor e o sistema de propulsão contribuíram para vários contratempos anteriores da Starship, incluindo um motor que não acendeu conforme o planejado durante o 12º voo da Starship, em maio.

Os motores movidos a metano estão entre os componentes mais complexos e caros do foguete. Durante alguns voos anteriores, a SpaceX cancelou os planos de testar a ignição do motor Raptor no espaço. Contudo, todos os motores foram acionados com sucesso durante a ascensão no 13º voo da Starship, em julho.

Corrida espacial: concorrência e metas ambiciosas

A SpaceX, empresa fundada por Elon Musk perto de Los Angeles em 2002, está competindo com a Blue Origin, empresa rival de foguetes do também empresário Jeff Bezos, para inaugurar uma era de exploração lunar no âmbito do programa Artemis da Nasa.

Embora a SpaceX tenha sido originalmente contratada para fornecer o primeiro módulo de pouso lunar tripulado para o Artemis, o chefe da agência espacial dos EUA, Jared Isaacman, afirmou em abril que a Nasa optaria pelo módulo que estivesse pronto para voar primeiro. A agência considerou essa concorrência adicional saudável para o progresso, tendo em vista os crescentes atrasos no programa de voos de teste da Starship.

A Nasa tem como meta oficial levar astronautas de volta à superfície da Lua até 2028 — uma meta amplamente considerada excessivamente ambiciosa — para chegar lá antes da China, que planeja um pouso tripulado na Lua até 2030.

 

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