O aumento da fatura mundial de importação de alimentos, que poderá superar a barreira do trilhão de dólares em 2010 com a forte alta de inúmeros produtos básicos, causa preocupação na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que teme novos “tempos difíceis”.

A advertência da FAO foi lançada em Roma por ocasião da apresentação à imprensa do mais recente relatório “Perspectivas Alimentares, com as estatísticas agrícolas mais recentes”.

“A comunidade internacional deve preparar-se para tempos difíceis a menos que a produção dos principais cultivos alimentares aumente de forma significativa em 2011”, afirmam os especialistas.

Segundo as estimativas da entidade, as faturas de importação de alimentos nos países mais pobres do mundo aumentarão 11% em 2010, e 20% nos países de baixas rendas e déficit de alimentos (denominados países PBIDA).

“Passar a barreira do trilhão de dólares significa que a fatura mundial pela importação de alimentos chegará a um nível que não se via desde que os preços dos alimentos alcançaram seus níveis recordes em 2008”, explicou a FAO.

“No momento, não estamos em crise, mas existe no mercado uma forte incerteza”, afirmou Abdolreza Abbassian, especialistas em cereais da FAO.

“Não há dúvidas de que a especulação com os produtos agrícolas deu lugar à instabilidade e volatilidade dos mercados”, acrescentou.

Em 2008, os alimentos alcançaram preços tão altos que em muitos países foram registradas as chamadas “revoltas do pão”, entre eles o Haiti e as Filipinas.

Ao contrário das previsões iniciais, a produção mundial de cereais deve se reduzir 2% invés de aumentar 1,2%, como anunciado em junho.

O informe aponta um déficit inesperado no abastecimento devido, em parte, às condições meteorológicas adversas. A FAO convida a comunidade internacional a aumentar a produção de cereais para restabelecer os estoques.

As reservas mundiais de cereais se reduzirão 7%, com uma queda do centeio da ordem de 35%, do milho de 12% e do trigo de 10%, segundo o documento.

Só aumentarão as reservas de arroz, 6%.

Sobre os preços, a entidade alerta que serão os consumidores que pagarão as consequências do aumento sofrido pela maior parte dos produtos básicos agrícolas nos últimos seis meses.

Os especialistas consideram crucial aumentar o volume das colheitas no próximo ano para que haja uma estabilidade dos mercados internacionais.

Segundo a FAO, o preço do açúcar, que superou recentemente seu nível mais alto em 30 anos, foi uma das causas para o importante aumento de preços da cesta básica em nível mundial nos últimos meses.

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