A Justiça americana anunciou nesta terça-feira a abertura de uma investigação sobre a prisão de uma estudante negra, arrastada da sala de aula por um policial branco.

Um vídeo sobre a agressão ‘viralizou’ na Internet e causou grande indignação.

“O serviço de direitos civis do escritório do FBI [a Polícia Federal americana] em Colúmbia e do escritório da Procuradoria do distrito da Carolina do Sul abriram uma investigação sobre as circunstâncias da detenção de uma aluna da escola de Spring Valley”, afirmou um comunicado oficial.

“O FBI reunirá todos os elementos probatórios necessários para determinar se se violou alguma lei federal”, acrescentou o texto.

Em dois vídeos que circularam na Internet, vê-se um policial arrancar violentamente a adolescente da carteira em sala de aula, arrastando-a em seguida pelo chão. A estudante teria-se negado a obedecer o policial, que havia pedido que ela se retirasse da sala.

Postados on-line com o hashtag #AssaultAtSpringValleyHigh, os vídeos foram gravados por outros alunos com seus celulares. Em nenhum deles, a menina parece oferecer resistência ao agente.

Hoje, o xerife do condado de Richland, Leon Lott, disse ter tido acesso a um terceiro vídeo do ocorrido, filmado de um ângulo diferente. Nele, completa o xerife, a aluna teria agredido o policial.

O policial Ben Fields, um dos dois agentes dessa escola de Spring Valley, foi alvo de uma suspensão administrativa.

Em um conferência para chefes de polícia, o presidente Barack Obama manifestou nesta terça sua preocupação com o fato de as denúncias contra a polícia e seu viés racista terem sido ignoradas durante tanto tempo.

“Com a tecnologia de hoje, se apenas um dos nossos oficiais fizer alguma coisa irresponsável, o mundo todo fica sabendo disso momentos depois”, afirmou, em Chicago.

Obama reconheceu, porém, os esforços da Polícia para melhorar sua conduta.

“Raramente aparecem nas notícias da noite os inumeráveis episódios, nos quais a Polícia faz um trabalho eficiente. Por isso, é importante que não ataquemos e pulemos sobre qualquer coisa que aconteça e tiremos conclusões precipitadas”, completou.

A pré-candidata democrata Hillary Clinton à presidência americana classificou o episódio como “inaceitável”.

“Não há qualquer desculpa para a violência em uma escola”, tuitou.

“Em uma sala de aula os alunos deveriam receber educação, e não violência”, criticou a ACLU, uma das principais organizações americanas de defesa das liberdades civis.

Em uma nota, a superintendente do colégio de Spring Valley, Debbie Hamm, garantiu que a direção está cooperando, plenamente, com as investigações e que a situação preocupa “muito” a instituição.

“Isso é ultrajante e inesquecível, e isso não representa o que esse distrito é”, frisou Debbie Hamm.