O Federal Reserve (Fed, banco central americano) elevou, nesta quarta-feira (1), suas taxas básicas de juros em um quarto de ponto percentual, e anunciou que prevê novos aumentos depois desta oitava alta consecutiva e nenhum corte para este ano, em um contexto de uma inflação que desacelera, “mas continua alta”.

Agora, as taxas básicas de juros do Fed alcançaram a faixa de 4,50% a 4,75%.

“Indicadores recentes mostram um crescimento moderado dos gastos e da produção”, reforçou o Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC) em nota após os dois dias de reunião, a primeira do ano.

“A inflação desacelerou um pouco, mas continua alta”, acrescentou a entidade.

Por isso, o comitê “antecipa” que novos aumentos dos juros “serão apropriados” para levar a inflação à meta de 2% ao ano, explica o texto.

Além disso, o presidente do Fed, Jerome Powell, descartou um corte dos juros este ano, como alguns no mercado esperavam.

Durante coletiva de imprensa, Powell considerou que embora a economia americana esteja desaquecida e a inflação desacelere “lentamente”, não é “oportuno baixar as taxas este ano ou flexibilizar a política monetária”.

O Fed elevou oito vezes consecutivas as taxas básicas de juros desde março de 2022, incluindo quatro aumentos seguidos de 0,75 ponto percentual, em uma tentativa de desaquecer a economia e conter a inflação.

Encarecer o crédito significa desestimular o consumo e os investimentos e diminui a pressão sobre os preços.

O aumento, anunciado nesta quarta-feira, de um quarto de ponto percentual, marca uma moderação em relação ao meio ponto de dezembro e a aumentos maiores do ano passado.

A inflação em dezembro foi de 5% em 12 meses frente a 5,5% no ano móvel encerrado em novembro, segundo o índice PCE, o mais seguido pelo Fed.

– A luta continua –

Embora os dados recentes sejam “animadores”, serão necessárias “mais evidências para nos convencermos de que a inflação desacelera de forma duradoura”, disse Powell.

O Fed quer “evidência concreta de que a inflação foi contida e não a tem ainda”, resumiu, por sua vez, Ryan Sweet, economista-chefe da Oxford Economics, em conversa com a AFP.

Sweet espera que os custos dos serviços mantenham o Fed no caminho da alta dos juros.

De fato, o próprio Powell confirmou que haverá “vários” aumentos adicionais das taxas de juros.

Alguns analistas antecipam que o banco central americano espera que a pujança do mercado de trabalho ceda para reduzir as pressões sobre os salários antes de alterar o curto de ação.

Mas até agora, o desemprego se mantém no mínimo histórico de 3,5%.

Nesta quarta, a pesquisa mensal ADP/Stanford Lab mostrou que a criação de empregos diminuiu consideravelmente em janeiro no setor privado nos Estados Unidos, com 106.000 postos criados contra 253.000 em dezembro, segundo números revistos para cima. Mas o dado se explica em parte pelo impacto do clima nas contratações, explicou Nela Richardson, economista-chefe do ADP.

Ian Shepherdson, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, diz que chegou a hora de uma pausa nas altas dos juros e destacou em um tuíte na terça-feira que “seu trabalho (do Fed) está feito”.

“Contiveram as expectativas de inflação”, destacou. “Qualquer aumento adicional dos juros pelo Fed a partir de agora só aumenta a chance de uma recessão desnecessária” nos Estados Unidos, enfatizou.