O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira, 28, manutenção de sua taxa de juros, que segue no intervalo de 3,50% a 3,75%. A decisão está alinhada à expectativa do mercado.

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A decisão não foi unânime. Dos membros do comitê (Fomc, na sigla em inglês), oito votaram pela manutenção, incluindo o presidente (chair) Jerome Powell, e o vice. Um dos membros, Stephen I. Miran, votou pelo corte de 0,25 ponto percentual.

A votação de 8 a 4 foi a mais dividida desde 6 de outubro de 1992 e mostra a amplitude de opiniões que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, enfrentará ao buscar os cortes nas taxas que o presidente Donald Trump diz esperar do sucessor que escolheu para Jerome Powell, cujo mandato como chefe do banco central termina em 15 de maio.

Embora a mais recente declaração de política monetária tenha mantido a linguagem sobre como o Fed avaliará a “extensão e o momento de ajustes adicionais” nas taxas de juros, frase que aponta para cortes futuros como a próxima ação provável, três dirigentes fizeram objeções.

A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, e a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, embora tenham apoiado a manutenção da taxa de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75%, “não apoiaram a inclusão de um viés de flexibilização na declaração neste momento” e votaram contra a nova declaração.

Com os preços do petróleo altos e subindo novamente devido à guerra liderada pelos EUA contra o Irã, as autoridades disseram antes da reunião que estavam cada vez mais preocupados com a possibilidade de que os custos elevados de energia possam evoluir de um choque pontual para uma inflação subjacente mais alta, com necessidade de manter os juros onde estão por mais tempo do que o esperado ou, no extremo, elevá-los.

Operadores veem poucas chances de o Fed reduzir a taxa de juros antes de meados do próximo ano, o que, na verdade, é uma aposta contra a capacidade do novo líder do Fed, Kevin Warsh, de convencer seus pares de que o aumento da produtividade dos EUA se traduzirá em inflação mais baixa e permitirá uma política monetária mais frouxa.

“As notícias desde a última reunião em março – dados melhores sobre o mercado de trabalho, mas nenhuma mudança nos dados decepcionantes sobre a inflação alta – podem tornar a discussão um pouco mais ‘hawkish’”, mas não tanto a ponto de o Fed sugerir a possível necessidade de aumentos nos juros em seu comunicado, disse Michael Feroli, economista-chefe do JPMorgan para os EUA. O crescimento surpreendentemente forte do número de empregos em março fez com que a taxa de desemprego caísse para 4,3%.

Esta reunião também marca a última de Jeroe Powell à frente do Fed. Sua saída está prevista para 15 de maio. Em seu lugar deve assumir Kevin Warsh.

O Departamento de Justiça dos EUA encerrou, na sexta-feira, uma polêmica investigação criminal contra Powell em relação às reformas da sede do Fed em Washington, potencialmente satisfazendo as exigências de um importante senador republicano que ameaçou adiar a confirmação de Warsh por causa disso.

Powell x Trump

Powell também fez do fim da investigação uma condição para deixar a diretoria do Fed. Embora os chefes dos bancos centrais dos EUA tradicionalmente renunciem a seus cargos na diretoria quando seus mandatos de liderança expiram, Powell disse no mês passado que poderia ficar e que “tomará essa decisão com base no que eu acho que é melhor para a instituição e para as pessoas a quem servimos”, um teste mais amplo relacionado aos esforços do presidente Donald Trump para invadir a independência do Fed.

Powell pode permanecer como diretor do Fed até janeiro de 2028, o último ano completo da presidência de Trump e um longo epílogo para o homem que o presidente apelidou de “tarde demais” por não ter realizado os grandes cortes na taxa de juros que ele exigiu.

Super-Quarta

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também decide nesta quarta-feira a taxa básica de juros da economia. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, como ficou decidido na última reunião no dia 18 de março, quando a autoridade reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual.

Antes disso, a taxa básica permaneceu em 15% ao ano por seis reuniões, ou seja, desde junho do ano passado. A decisão desta quarta-feira, dia 29, deve sair após às 18h30, com o mercado financeiro fechado.

*Com informações de Reuters