O Federal Reserve (Fed – o banco central dos Estados Unidos), decidiu pela manutenção da taxa de juros nesta quarta-feira, 28, que segue na faixa de 3,75% a 4,00%.

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A decisão não foi unânime. Dos 12 membros do Fomc (equivalente ao Comitê de Política Monetária no Brasil), 10 votaram pela manutenção, incluindo o presidente Jerome Powell. Outros dois membros votaram pela redução de 0,25 ponto percentual na taxa.

“Como o próprio comunicado destacou, a inflação ainda permanece em um patamar relativamente elevado. Já no mercado de trabalho, o sinal é diferente. Os dados indicam uma desaceleração mais relevante, o que começa a ganhar peso no debate interno do Federal Reserve. O diretor Christopher Waller, que já se posicionou a favor de cortes de juros, tem enfatizado esse ponto em suas últimas entrevistas, demonstrando preocupação com a perda de fôlego do mercado de trabalho”, diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

A manutenção dos juros vem em linha com a expectativa do mercado. Apesar da pressão do presidente Donald Trump pela queda da taxa de juros, 97% do mercado acreditava na manutenção da faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. De todo modo, o comunicado e a entrevista do presidente do Fed, Jerome Powell, serão acompanhados de perto pelos investidores.

“Na coletiva de Powell, que vem a seguir, o foco estará na defesa da independência do Fed frente a Trump — com ele provavelmente evitando comentários diretos sobre política — e em riscos assimétricos para a inflação, especialmente em serviços, embora um tom mais dovish como “cortes condicionados a dados” possa surgir”, afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

Para Nicolas Gass, head de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, o primeiro semestre será dominado por uma análise criteriosa dos dados econômicos. ”

A grande questão será entender se a economia americana realmente demanda um novo estímulo monetário ou se ainda faz sentido manter a taxa de juros nos níveis atuais. O mercado segue bastante dividido em relação a esse diagnóstico, e as próximas semanas serão decisivas. Se os dados vierem em linha com as expectativas, a manutenção dos juros tende a prevalecer. Caso contrário, se houver sinais claros de uma desaceleração mais intensa da economia, um corte adicional poderá entrar no radar mais cedo do que o previsto”, avalia.

Mais tarde aqui no Brasil o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central também anunciará sua decisão sobre juros no Brasil. A expectativa é que a Selic seja mantida em 15% ao ano.

Ata revelou divergência entre membros sobre decisão de dezembro

O Federal Reserve concordou em cortar a taxa básica de juros em sua reunião de dezembro somente depois de um debate com muitas nuances sobre os riscos que a economia norte-americana enfrenta no momento, de acordo com a ata da última reunião de dois dias.

Até mesmo alguns dos que apoiaram o corte de juros reconheceram que “a decisão foi finamente equilibrada ou que eles poderiam ter apoiado a manutenção do intervalo da taxa básica”, dados os diferentes riscos enfrentados pela economia dos EUA, de acordo com a ata divulgada nesta terça-feira,30.

Nas projeções econômicas divulgadas após a reunião de 9 e 10 de dezembro, seis autoridades se opuseram a um corte e duas desse grupo discordaram como membros votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto.

A “maioria dos participantes” acabou apoiando um corte, com “alguns” argumentando que essa era uma estratégia prospectiva apropriada “que ajudaria a estabilizar o mercado de trabalho” após uma recente desaceleração na criação de empregos.

Outros, no entanto, “expressaram preocupação com a estagnação do progresso em direção à meta de inflação de 2% do comitê”.

Confira o comunicado do Fomc na íntegra

Os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem se expandido em um ritmo sólido. Os ganhos de postos de trabalho permaneceram baixos, e a taxa de desemprego apresentou alguns sinais de estabilização. A inflação permanece um tanto elevada.

O Comitê busca alcançar o pleno emprego e a inflação à taxa de 2% no longo prazo. A incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu mandato duplo.

Em apoio aos seus objetivos, o Comitê decidiu manter a meta para a taxa de juros básica (federal funds rate) entre 3,50% e 3,75%. Ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais na meta para a taxa de juros, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o balanço de riscos. O Comitê está firmemente comprometido em apoiar o pleno emprego e em fazer a inflação retornar ao seu objetivo de 2%.

Ao avaliar a postura adequada da política monetária, o Comitê continuará monitorando as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas. O Comitê estaria preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance das metas do Comitê. As avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo leituras sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, além de desenvolvimentos financeiros e internacionais.

Votação

Votaram a favor da ação de política monetária: Jerome H. Powell (Presidente); John C. Williams (Vice-Presidente); Michael S. Barr; Michelle W. Bowman; Lisa D. Cook; Beth M. Hammack; Philip N. Jefferson; Neel Kashkari; Lorie K. Logan; e Anna Paulson.

Votaram contra esta ação: Stephen I. Miran e Christopher J. Waller, que preferiam reduzir a meta da taxa de juros básica em 0,25 ponto percentual nesta reunião.

*Com informações de Reuters