01/10/2026 - 11:12
O presidente do Federal Reserve (Fed) de Minneapolis, Neel Kashkari, indicou nesta quinta-feira, 1º, que o patamar final dos juros nos Estados Unidos ainda é incerto, mesmo com a resiliência persistente da economia americana. Ele destacou a divergência entre as taxas de curto prazo e os rendimentos dos Treasuries de dois anos, sinalizando a complexidade do cenário monetário.
O que aconteceu
- Os juros nos EUA podem necessitar de mais aumentos, segundo Neel Kashkari, presidente do Federal Reserve de Minneapolis, que não definiu um teto.
- Kashkari observou que a hesitação dos mercados pode sinalizar que o aperto monetário já está impactando a economia, com setores como o imobiliário sentindo a pressão.
- Apesar do aperto, a economia americana e o mercado de trabalho permanecem surpreendentemente fortes, com baixo desemprego e consumo robusto.
“Não sei quão altos os juros precisam ir”, afirmou Kashkari em entrevista à Bloomberg TV. Ele reiterou o compromisso do Federal Reserve (Fed) de fazer “o que for preciso” para reconduzir a inflação à meta de 2%. O dirigente salientou a “grande diferença” entre o rendimento dos títulos de dois anos e as taxas de curto prazo, com o juro implícito para setembro associado ao Treasury de dois anos ligeiramente acima de 4%.
Kashkari avaliou que os mercados financeiros “não são tímidos” ao expressar suas visões, e uma certa hesitação dos investidores pode ser um indício de que o aperto monetário em curso já está gerando os efeitos desejados. “Se continuarmos elevando os juros, isso colocará diferentes pressões sobre diferentes partes da economia”, observou. Ele apontou que segmentos como a habitação já enfrentam forte pressão.
A economia americana resiste?
Ao mesmo tempo, o dirigente manifestou surpresa contínua com a resiliência da atividade econômica. O consumo se mantém disseminado e forte, enquanto a taxa de desemprego de 4,1% é considerada “boa” e o mercado de trabalho demonstra saúde. Kashkari enfatizou que não acredita ser necessário um agravamento do desemprego para atingir a meta de inflação e assegurou que “claramente não há uma espiral de salários e preços hoje”.
Kashkari também mencionou a evolução de sua perspectiva sobre choques de oferta e inflação. Para ele, se tais choques persistirem por um período de cinco anos, a responsabilidade por sua gestão recai sobre o Fed. Entre as preocupações específicas no distrito de Minneapolis, ele citou a questão do diesel e a disponibilidade de caminhoneiros.
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