A 7,5 mil quilômetros do cerrado brasileiro, um grupo de executivos acompanha com especial interesse o que acontece na principal fronteira agrícola do País. Relatórios sobre a evolução da safra de grãos e as liberações de financiamentos para aquisição de máquinas são esmiuçados pelos integrantes do board da CNH Global, sediada em Chicago (EUA). E não é para menos. É no Brasil que a fabricante de tratores e máquinas agrícolas ? que fatura US$ 9,7 bilhões por ano com as marcas New Holland e Case IH ? vem colhendo seus melhores frutos. Ao contrário do que ocorreu nos demais mercados onde a companhia atua, as receitas por aqui cresceram 15% no ano passado, atingindo a marca de R$ 1,5 bilhão. ?Foi um desempenho excepcional?, disse à DINHEIRO, Paolo Monferino, presidente mundial da CNH, ligada ao Grupo Fiat. A importância da filial também pode ser medida por outro indicador. Na semana passada, o executivo veio ao Brasil para apresentar, pessoalmente, ao mercado as novas linhas de tratores e colheitadeiras lançados pela companhia na Agrishow, feira de máquinas realizada em Ribeirão Preto (SP). O destaque é a série MX Magnum, da Case. ?É a Ferrari dos tratores?, diz o executivo. E não se trata de nenhum exagero. Afinal, o veículo é dotado de um possante motor de 270 cavalos, possui computador de bordo, som e ar-condicionado. O projeto consumiu US$ 100 milhões em nível mundial. Outros US$ 12 milhões foram gastos para preparar a fábrica de Curitiba (PR) para produzir o equipamento.

No segmento de colheitadeiras de grande porte, a aposta do presidente mundial da CNH é a série Axial-Flow. Essa máquina também está sendo produzida no Brasil com índice de nacionalização semelhante ao do trator Magnum: 70%. Pelas contas da companhia, a Axial-Flow possibilita reduzir, em menos de 1%, as perdas na colheita de grãos. ?Não existem equipamentos como estes no mercado?, gaba-se Monferino. Segundo ele, a posição dominante da empresa ? detém 50% do segmento de colheitadeiras e 28% do de tratores ? deve-se à estratégia de produzir localmente e investir pesado em tecnologia. Além disso, a sinergia entre as duas marcas ? vários componentes da linha de tratores são aproveitados na fabricação de colheitadeiras ? permite à empresa manter a concorrência (leia-se John Deere, Massey Ferguson, dentre outros) à distância. ?Os novos produtos deverão representar até 40% de nossas receitas, ao final de 2003?, prevê ele.

Monferino não considera arriscado concentrar as apostas da companhia em equipamentos ?top? de linha e cujos preços estão acima da média do mercado. Segundo ele, o País está maduro e tem competitividade suficiente para absorver produtos deste tipo. ?O Brasil agrícola já intimida seus rivais na Europa e nos Estados Unidos?, garante. A confiança de Monferino também decorre da reativação das linhas de crédito governamentais para o setor, que devem somar R$ 2 bilhões este ano. A equipe comandada pelo presidente mundial da CNH está atenta à safra de boas notícias.