Brasília, terça-feira 8, 21 horas. Sentado numa bergère na entrada de seu palacete, o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima encarna a figura de seu personagem predileto, dom Vito Corleone, de Poderoso Chefão. Assim, apoiado numa bengala inglesa de punho de prata, ele recebeu por sete horas os convidados à celebração de seus 70 anos: 780 pessoas no total. Foi uma das maiores festas já vistas na árida côrte brasiliense. Benjamin Steinbruch, da CSN, chegou de São Paulo; Olavo Monteiro de Carvalho, do Grupo Monteiro Aranha, veio do Rio; André Brenan, o rei do cimento do Nordeste, despencou de Recife; Rubico Carvalho, o rei do nelore, chegou de Belo Horizonte. Chieko Aoki, fundadora do Ceasar Park, reservou 50 suítes para os amigos de fora em seu novo empreendimento, o Blue Tree, ao lado do Palácio do Planalto. Pedro Piva, dono da Klabin
e pai do presidente da Fiesp, protagonizou a travessura da noite: trouxe de São Paulo, no seu jatinho Citation, um bolo para 150 pessoas esculpido em forma de… nádegas femininas. ?Minha vida
foi muito intensa, eu jamais cogitei chegar aos 70?, diz Paulo
Tarso, um dos fundadores da diplomacia comercial brasileira. Ex-embaixador em Londres, Washington e Roma, foi ao seu tempo o homem mais poderoso do Itamaraty: ?Agora estou animado para começar tudo de novo?.

Na festa dos seus anos, para onde quer que se olhasse avistava-se algum representante do poder, em suas várias expressões. Em uma mesa de centro, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, trocava idéias com Ronnie Vaz Moreira, o CEO da Globopar. Ao se levantar, alguém tentou arrancar de Meirelles informações sigilosas. ?Só posso confirmar a boa notícia que você quer ouvir?, respondeu o presidente do BC, descartando o impertinente. Em outra mesa, Donna Hrinak, embaixadora dos Estados Unidos, tomava prosecco Valdopiadene ao lado de Roger Bone, embaixador do Reino Unido.
Mais adiante, uma rodinha de empreiteiros ? Eduardo Andrade (Andrade Gutierrez), Álvaro Novis (Odebrecht), Mário Queiroz Galvão (Queiroz Galvão), José Celso Gontijo (Via Engenharia). Em pé, os senadores Eduardo Suplicy, do PT, e Arthur Virgílio, líder dos tu-
canos, saboreavam juntos um risoto de foie-gras com pera cozida
no mel. Mais adiante, João Pedro, o primogênito dos Flecha de
Lima, apresentava orgulhoso a noiva Paola Mansur, filha do ex-banqueiro Ricardo, hoje mais lembrada por ser irmã de Ricardinho,
o ex de Gisele Bündchen.

Quem organizou tudo foi a embaixatriz Lúcia, 44 anos de casada e orgulhosa de seu primeiro emprego como secretária de Turismo de Brasília. Ela, que já foi uma das mulheres mais lindas do País, mandou construir, nos jardins de sua mansão no Lago Sul, uma cobertura de 480 m2, com 5 metros de altura. Pensou em cobrir a área com madeira, mas desistiu: ?Ficaria muito caro?. Preferiu forrar tudo com tapetes persas. Chegaram num caminhão, 500 m2 de Hamadans e Nains, alugados em Belo Horizonte. Espalhou pela área 408 lugares sentados, iluminados por mil velas. Os móveis, do barroco mineiro, também foram encontrados em Belo Horizonte. Os adornos de orquídeas, 94 no total, chegaram de carreta, diretos de São Paulo. Ao todo, seis caminhões de decoração. De avião, assim como o bolo, chegaram os doces e o café, presentes de Carlos Melles, deputado federal e ministro do antigo governo. Quanto ao champanhe, o embaixador fez questão de estourar 24 rolhas de Moe Chandon Brut Imperial, de sua própria adega. ?A festa foi extremamente sóbria?, define o anfitrião. No telão, alternavam-se fotos de Paulo Tarso e Lúcia ao lado de Bill Clinton, Elizabeth II, o papa… Quanto terá custado tamanho banquete, cochichavam os convivas. ?Ora, não é elegante tocar nesse assunto?, desconversa o embaixador. Ele prefere conversar sobre seu novo negócio, uma consultoria de estratégia internacional, com sede em Brasília e filial em São Paulo. ?Estamos indo tão bem que no próximo mês vou começar a organizar a exportação de etanol?, revela. Às 3 horas da madrugada, quando restavam umas poucas mulheres lindas e alguns escassos cavalheiros de paletó abotoado, a festa acabou. Memorável.