Os aumentos dos valores pagos no programa Auxílio Brasil e posteriormente do Bolsa Família, a partir de 2022, provavelmente foram responsáveis por retirar quase 18 milhões de pessoas da linha da pobreza. Essa é a conclusão de uma pesquisa do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

“Entre 2012 e 2019, em um período caracterizado por uma importante recessão e anos de baixo crescimento, apenas as regiões Nordeste e Sul reduziram o número de pessoas em situação de pobreza”, diz o estudo. “Após 2021, as mudanças nas políticas de transferência de renda permitiram o esboço de uma tendência acentuada de redução de pobreza e extrema pobreza.”

Com base em dados da Pnad Contínua, os pesquisadores Flávio Ataliba, João Mario de França, Vitor Hugo Miro e Arnaldo Santos concluem que, de 2012 a 2019, só 355 mil pessoas deixaram a linha da pobreza – uma baixa de 0,5%. De 2021 a 2023, 17,979 milhões de pessoas deixaram essa faixa, uma redução de 22,9%.

Está em “situação de pobreza” quem ganha menos de US$ 6,85 ao dia, conforme a definição do Banco Mundial usada no estudo.

Os pesquisadores concluem ainda que, de 2021 a 2023, 9,672 milhões de pessoas deixaram a linha da extrema pobreza, em que são contabilizados aqueles que recebem menos de US$ 2,15 por dia. Foi uma baixa de 50,4%. De 2012 a 2019, o total de pessoas em situação de extrema pobreza passou de 13 milhões para quase 15,5 milhões, uma alta de 18%.

Regiões

Considerando apenas a região Nordeste, os pesquisadores calculam que as maiores reduções da pobreza entre 2021 e 2023 ocorreram em Alagoas (-23%) e no Maranhão (-19,5%).

As menores baixas foram no Ceará (-10,3%) e no Piauí (-12,1%).