02/04/2014 - 15:26
Em meio a uma série de notícias de rebaixamento de empresas e bancos brasileiros pela agência de risco americana Standard & Poor´s, a Fibria, fruto da fusão entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel, foi surpreendida com a elevação de seu rating, atualmente em BB- estável, para positivo. Segundo relatório da agência, a decisão foi baseada em fatores como competitividade, alta liquidez e a expectativa de continuidade na melhora de resultados da empresa.
As notícias positivas reforçam o plano da companhia de investir em expansão. Guilherme Cavalcanti, diretor executivo de Finanças e de Relações com Investidores da Fibria, diz que a empresa vai aproveitar o aumento da demanda chinesa para ampliar sua produção.“Estudamos aplicar até US$ 3 bilhões em uma nova fábrica.” A China passou a ser, em 2013, o segundo maior comprador de celulose do Brasil, atrás apenas da Europa. As vendas para o país cresceram 13,8% no ano passado, para 173 mil toneladas, o equivalentes a US$ 1,5 bilhão.
Em entrevista à DINHEIRO, Cavalcanti explica o que vem acontecendo no mercado de celulose mundial, o favorecimento positivo da produção no Brasil pelo aumento da demanda chinesa e as perspectivas de aumento de produção da empresa.
DINHEIRO – Quais são os principais fatores que têm demandado aumento da produção?
Guilherme Cavalcanti – O ano passado ficou caracterizado pela entrada de novas linhas de produção mas também por fechamento de unidades, que deixaram de produzir 1,1 milhão de toneladas. Com isso, o nível de oferta da indústria chegou ao equilíbrio. Do lado da demanda, observou-se um aumento dos embarques de celulose de eucalipto, com destaque para exportações para a China e América do Norte.
De que maneira a China tem exercido um papel importante na demanda mundial por celulose?
Cavalcanti – A China tem sido o principal responsável pelo crescimento da demanda de celulose, especialmente, para abastecer as linhas de produção de papéis sanitários. O mercado chinês segue crescendo e tem grande potencial. Enquanto nos Estados Unidos o uso per capta de papel sanitário é de 24,3 quilos, na China, ainda é de 4,4 quilos. Além da capacidade de crescimento do mercado em si, hoje, a China responde por menos de 20% das vendas totais da Fibria. Mas pode aumentar.
Qual a expectativa para 2014?
Cavalcanti – Existe a perspectiva de recuperação das economias europeia e norte-americana o que deve garantir a manutenção de um patamar forte de consumo de celulose. As condições nos mercados desenvolvidos estão em recuperação e, apesar da perspectiva de queda de preços em dólares, a Fibria se beneficiará do câmbio mais desvalorizado.
