A holding Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial (RJ) no domingo, 1º, e apontou a crise do banco Master como causa da sua atual situação. Em novembro de 2025, um dia antes do Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição financeira de Daniel Vorcaro, o Fictor havia anunciado uma proposta de compra do Master.

+Como funcionava o esquema do Banco Master, segundo a investigação

“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, explica nota enviada pelo grupo à IstoÉ Dinheiro.

Segundo informações divulgadas pelo próprio Fictor, o valor de sua dívida chega a R$ 4 bilhões. O grupo teria iniciado sua reestruturação antes de pedir a RJ, demitindo parte de seus funcionários e reduzindo sua estrutura física. “O Grupo teve a preocupação, porém, de fazer esse movimento antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”, diz a empresa.

O grupo também protocolou um pedido de tutela de urgência para que execuções de dívidas e bloqueios de bens sejam imediatamente impedidos e permaneçam bloqueados durante um período de 180 dias, enquanto a Justiça analisa o processo de recuperação. O objetivo seria reduzir “o risco de corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”. O advogado responsável pelo caso é Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados.

Fundada em 2007, a holding Fictor reúne em seu portfólio negócios no ramo de energia, infraestrutura, soluções de pagamento e alimentos. Seu principal ativo é a Fictor Alimentos S.A., que atua no ramo de carne refrigerada, com fábricas em Minas Gerais e Rio de Janeiro gerando cerca de 3,5 mil empregos diretos e 10 mil indiretos. No final de 2024, a empresa passou a ter ações negociadas na bolsa de valores através de um IPO reverso.

IPO reverso da Fictor Alimentos
IPO reverso da Fictor Alimentos (Crédito:Reprodução)

Relembre a operação entre Fictor e Master

Em 17 de novembro de 2026, na véspera do decreto de liquidação extrajudicial do Master, a Fictor Holding Financeira acertou a aquisição do Banco Master S.A. em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação incluiria um aporte imediato de R$ 3 bilhões destinado ao fortalecimento da estrutura de capital do banco, e não contemplaria o Will Bank e o Banco Master de Investimentos.

O motivo para a liquidação, segundo o Banco Central, foi uma grave crise de liquidez. O Master detinha então 0,57% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

As dificuldades contábeis, no entanto, eram apenas parte dos problemas do Master. As investigações seguem em andamento, porém apontam diversos crimes e fraudes, que incluem esquema de pirâmide, uso de empresas de fachada e carteiras fictícias para simular capacidade de pagar credores.