24/09/2015 - 15:54
O gabinete da procuradoria-geral suíça informou em um comunicado que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) aceitou nesta quinta-feira finalmente fornecer os correios eletrônicos de seu ex-número 2, Jérôme Valcke.
Estes e-mails são a peça central das acusações que pesam sobre Valcke por suposto envolvimento na revenda de entradas para o Mundial do Brasil 2014.
Pela manhã, a Fifa havia informado à justiça suíça que só permitiria o acesso aos correios eletrônicos de Valcke sob certas condições.
Conhecido por ter sugerido que o Brasil levasse um “chute no traseiro” para acelerar os preparativos da Copa do Mundo, o francês Jerôme Valcke foi demitido do cargo de secretário-geral da Fifa no dia 17 de setembro, depois que a entidade alegou ter tomado conhecimento de uma “série de denúncias” contra o dirigente.
O dirigente é suspeito de envolvimento num esquema de venda ilegal de milhares de ingressos da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, de acordo com denúncias do israelense Benny Alon, executivo de uma empresa de marketing responsável por comercializar entradas VIP.
Em nota divulgada por seu advogado, Valcke negou com veemência “todas as acusações inventadas”.
Em maio, quando estourou o mega-escândalo de corrupção na Fifa, Valcke já havia sido acusado de transferir 10 milhões de euros em contas de Jack Warner, ex-presidente da Concacaf, como retribuição da África do Sul por ter sido escolhida para sediar a Copa do Mundo de 2010.
O suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa que entregará o cargo em 26 de fevereiro do ano que vem e que ainda não se pronunciou sobre a saída de seu ex-braço direito, dará uma coletiva de imprensa ao fim da reunião do Comitê Executivo, na sexta-feira.
Na agenda de debates do Comitê Executivo, figura “um ponto sobre as investigações em andamento das justiças americana e suíça”.
A conversa deve render. Na semana passada, em entrevista coletiva conjunta realizada em Zurique, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, e o procurado suíço Michael Lauber afirmaram que os processos andam a passos largos, mas que ainda devem demorar para serem concluídos.
Enquanto isso, a disputa pela sucessão de Blatter não para.
Nesta quinta-feira, o ex-craque da seleção brasileira e do Flamengo Zico, um dos candidatos à presidência na eleição de 26 de fevereiro, convocou os jornalistas em um hotel de Zurique e revelou ainda não ter o apoio necessário de cinco federações para concorrer oficialmente ao cargo.
“A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ainda não me entregou a carta de apoio e me disse: ‘traz as cartas das outras quatro federações que te apoiamos'”, lamentou o ‘Galinho de Quintino’.
Zico, de 62 anos, chegou em Zurique na segunda-feira e se reuniu com Blatter e com François Carrard, presidente da Comissão de Reformas da Fifa.
Aos jornalistas, Zico afirmou ter se reunido também com Sunil Gulati, Presidente da Federação de futebol dos Estados Unidos, e com Khozo Tashima, vice-presidente da Federação Japonesa, ambos membros do Comitê Executivo.
“Nenhuma destas federações me prometeu apoio”, lamentou o ex-camisa 10 da seleção, que vê a necessidade de se reformar o processo eleitoral da Fifa.
“Uma eleição nas regras atuais só pode servir a quem já está integrado ao sistema vigente. O problema não é que eu seja vítima do sistema, como Luis Figo (ex-jogador português e candidato nas últimas eleições). As vítimas são as pessoas que trabalham no futebol e que querem ter algum dia a ambição de serem candidatas a um cargo como este”, completou.
No início do mês de setembro, Zico apresentou um programa de dez pontos baseado na transparência e na democracia do processo eleitoral, de olho nas próximas eleições presidenciais da Fifa, nas quais o francês Michel Platini, presidente da Uefa, aparece como grande favorito.
Para Zico, “Platini faz um bom trabalho na Uefa e se for eleito espero que compreenda que a Fifa representa o futebol do mundo todo e não exclusivamente ao continente europeu”, concluiu.