09/10/2015 - 17:07
A onda de choque das suspensões de Joseph Blatter e Michel Platini transformou a Fifa num campo de ruínas, levantando vários questionamentos sobre a eleição presidencial, marcada para o dia 26 de fevereiro, e sobre o processo de reformas da entidade.
Esta questão pode ser abordada no dia 20 de outubro, na reunião extraordinária do Comitê Executivo da Fifa, espécie de governo do futebol mundial.
A Fifa anunciou na noite desta sexta-feira esta reunião de emergência, a pedido da Confederação Asiática e das federações da Inglaterra e da Alemanha, entre outras.
Será a primeira reunião deste tipo sem Blatter e Platini, suspensos de forma provisória por 90 dias pela Comissão de Ética na quinta-feira.
Membros do Comitê executivos podem, se desejarem, colocar a questão do adiamento da eleição na pauta. A Fifa explicou que a programação da reunião será conhecida apenas no meio da semana que vem.
Issa Hayatou, que assumiu a presidência interina no lugar de Blatter já deu seu parecer sobre o assunto.
“Tudo vai depender da comissão de reformas, que vai se reunir em breve. Se o cronograma for apertado, eles podem dizer: ‘não tivemos tempo de fazer todas as reformas, talvez seja preciso prorrogar o prazo antes da eleição'”, explicou o dirigente camaronês.
Platini era o grande favorito para suceder Blatter, mas a suspensão de ambos colocou em xeque suas ambições. Em termos legais, o ex-craque francês ainda tem condições de se candidatar, até porque se antecipou à suspensão e depositou na sede da Fifa as cartas de apoio necessárias para a candidatura à presidência.
O problema é que o presidente da Uefa ainda precisa passar pela investigação de integridade, a cargo da própria comissão de ética, que acaba de suspendê-lo.
O banimento por seis anos do coreano Chung Mong-joon, que era o tido como principal rival de Platini na eleição, deixa apenas candidatos com menos respaldo na disputa.
Um deles é o príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein, que teve o mérito de forçar o segundo turno contra Blatter na última eleição, mas carece de apoio na própria Confederação Asiática.
Rival de Platini em campo, Zico, hoje técnico do Goa, na Índia, continua querendo entrar na disputa, mas admitiu que ainda não obteve a chancela de cinco federações nacionais, necessária para validar a candidatura.
O presidente da Federação da Libéria, Mussa Bility, tem o apoio da Confederação Africana, mas é pouco conhecido fora do seu país.
O sul-africano Tokyo Sexwale, ex-companheiro de cela de Nelson Mandela, é outro que pode entrar como azarão. Ele assumiu recentemente as rédeas do comitê de supervisão da Fifa sobre a questão do conflito entre Israel e Palestina.
Os candidatos têm até o dia 26 de outubro para apresentar toda a documentação necessária.
O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, fez um apelo para que “um candidato externo com credibilidade e alta integridade” se candidatasse.
Depois de 40 anos de presença na Fifa, Blatter foi suspenso pela comissão de ética da entidade.
À frente do futebol mundial desde 1998, o suíço de 79 anos deixou a sede da organização pela porta dos fundos na quinta-feira, mas “permaneceu em Zurique”, informou uma fonte próxima ao cartola à AFP. “A aposentadoria no Valais (região onde nasceu) será mais tarde”, completou.
Os advogados de Blatter confirmaram que o suíço apresentou um recurso e “pediu para que a câmara de julgamento da comissão de ética (que pronunciou a sanção) se reúna de novo”.
O suíço chegou a se queixar de não ter podido apresentar sua defesa, mas um porta-voz da câmara de investigação disse à AFP que o dirigente foi ouvido, sim, no dia 1º de outubro, na presença dos seus advogados.
O cargo de presidente interino ficou com Issa Hayatou. O presidente da Confederação Africana (CAF) deixou Camarões na sexta-feira, e “está sendo esperado em Zurique na terça-feira, depois de passar alguns dias em Paris”, revelou uma fonte próxima à Fifa.
Apesar de ter problemas de saúde, o dirigente de 69 anos se diz capaz de assumir as funções, e garantiu que não vai se candidatar para a eleição presidencial.
“Ele nunca fez mistério do fato que, há alguns anos, problemas de insuficiência renal o obrigam a ser submetido a sessões de diálise, mas isso nunca atrapalhou seu cronograma profissional”, garantiu a CAF.
Hayatou, contudo, não é isento de suspeitas, longe disso. Já recebeu advertência do COI pelo envolvimento no caso ISL, empresa de marketing parceira da Fifa que faliu em 2011, e também reconheceu recentemente ter recebido dinheiro do Catar para apresentar o projeto de candidatura do país num congresso da CAF, em 2010.
Com a suspensão de Platini, a Uefa está sendo dirigida de forma colegial pelo seu comitê executivo. O vice-presidente mais velho, o espanhol Angel Maria Villar Llona, poderia, como Hayatou na Fifa, assumir a presidência como interino, mas a Uefa preferiu esperar o julgamento do recurso do francês.
Uma reunião de emergência com as 54 federações europeias está marcada para quinta-feira, na sede da entidade, em Nyon, na Suíça.