21/11/2015 - 20:05
A câmara de investigação da comissão de ética da Fifa anunciou neste sábado que “pediu sanções” contra o suíço Joseph Blatter, presidente demissionário da entidade, e o francês Michel Platini, candidato à sucessão.
A comissão informou ter concluído suas investigações, mas recusou-se a revelar as punições que pediu contra os dois cartolas, que já foram suspensos de forma provisória no início do mês.
O relatório da investigação, com os pedidos de sanção, foi transmitido à câmara de julgamento, que tomará a decisão final.
“A câmara de investigação da comissão de ética submeteu seus relatórios definitivos à câmara de julgamento, presidida por Hans-Joachim Eckert, e esses relatórios contém pedidos de sanções contra Joseph Blatter et Michel Platini”, confirmou a entidade num comunicado.
“Por motivos de proteção de privacidade e em virtude da presunção de inocência, a câmara não divulgará detalhes dos relatórios nem o teor das sanções pedidas contra os dois dirigentes”, completa o texto.
Platini está sendo investigado por conta de um pagamento suspeito de 1,8 milhão de euros que recebeu de Blatter em 2011, por um trabalho de consultoria concluído em 2002.
Já o suíço também está acusado de “gestão desleal”, por ter vendido direitos de transmissão de Copa do Mundo abaixo do valor de mercado.
A comissão de ética já tinha rejeitado na última quarta-feira o recurso dos dois cartolas.
Na sexta-feira, Platini apresentou outro recurso, desta vez diante do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), mas o anúncio deste sábado pode colocar um ponto final nas suas ambições de chegar à presidência da Fifa.
“É uma coincidência muito estranha. No dia seguinte do nosso recurso diante do TAS, a investigação interna se encerra no mesmo dia contra Michel Platini e Sepp Blatter, enquanto o segundo está sendo alvo de muito mais acusações do que o primeiro. Parece que a Fifa não está nem mais fingindo que está querendo nos prejudicar”, ironizou Thibaud d’Alès, advogado do francês, em entrevista à AFP.
“Eu achava que tínhamos chegado ao cúmulo do cinismo quando o primeiro recurso foi rejeitado 15 dias depois da decisão, o que nos impediu de recorrer diante do TAS durante todo este período. Já era uma prova de instrumentalização do calendário. Poderia até ser engraçado se não se tratasse da maior instituição não governamental do mundo”, completou.
Platini corre contra o tempo para se manter na disputa pela presidência da Fifa.
Sua candidatura está ‘congelada’ pelo menos até 5 de janeiro, data que acabará sua suspensão provisória.
Por causa da punição, o ex-camisa 10 não pode fazer campanha, o que fragiliza suas pretensões. A Uefa já tem um plano B, o secretário-geral Gianni Infantino, braço-direito de Platini, que deixou claro na semana passada que pretende desistir da candidatura caso o francês possa concorrer.
Na semana passada, a comissão eleitoral da Fifa aprovou as candidaturas de Infantino, do xeque Salman Bin Ebrahim Al Khalifa (Bahrein), do francês Jérôme Champagne e do sul-africano Tokyo Sexwale.
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