Na quarta-feira, 14, a Agibank encaminhou um pedido para oferta pública inicial de ações na bolsa de Nova York. Se concretizado, o IPO da companhia fará com que ela seja a sexta brasileira do setor financeiro que tem listagem nos Estados Unidos.

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A operação será coordenada por Morgan Stanley, Citigroup, Bradesco BBI e BTG Pactual, segundo documentos enviados à SEC, e o Agibank também tem como coordenadores da operação Itaú BBA, Santander, Société Générale, XP Investments e Oppenheimer.

No acumulado de 2025 até o final de setembro, a companhia tinha cerca de 6,4 milhões de clientes ativos, carteira de crédito de R$ 34 bilhões, lucro líquido de R$ 875 milhões e retorno sobre patrimônio líquido médio de 41%.

O movimento de visar um IPO nos EUA ocorre em um cenário global que mostra um número crescente de empresas brasileiras do setor financeiro com predileção por listagem fora do Brasil – a fim de buscar acesso a uma base mais ampla de investidores, maior liquidez e o prestígio associado às bolsas americanas.

Nos últimos anos, nomes como Nubank, StoneCo, XP Inc., PagSeguro e Inter & Co tornaram-se referência desse movimento de internacionalização.

Nubank

O Nubank, através da controladora Nu Holdings, fez sua estreia na New York Stock Exchange (NYSE) em dezembro de 2021, em uma das maiores ofertas públicas iniciais (IPO) já realizadas por uma fintech latino-americana.

A empresa levantou cerca de US$ 2,6 bilhões em sua oferta inicial de ações, com seus papéis listados sob o código NU na NYSE, marcando um passo importante na consolidação de sua presença global.

Desde então, a empresa expandiu sua atuação para mercados como México e Colômbia e continua a atrair atenção de investidores internacionais graças ao seu crescimento acelerado e à base de clientes que já soma dezenas de milhões de usuários.

StoneCo

A StoneCo Ltd., conhecida por suas soluções de pagamento e serviços financeiros para pequenos e médios negócios, abriu capital na Nasdaq em 2018, tornando-se uma das primeiras fintechs brasileiras a cruzar fronteiras por meio de um IPO nos Estados Unidos.

A listagem ampliou a visibilidade internacional da companhia e fortaleceu sua capacidade de investimento em tecnologia e expansão de produtos.

XP Inc.

A corretora de investimentos XP Inc. estreou na Nasdaq em 2019, captando recursos e colocando no radar internacional o potencial do mercado de investimentos brasileiro.

Seus papéis são negociados sob o ticker XP, representando um marco para uma instituição que começou focada no varejo e com sua expansão se tornou uma plataforma completa de serviços financeiros.

No seu IPO, a US$ 27 por ação, a empresa captou cerca de US$ 2,25 bilhões, tornando-se uma das ofertas públicas iniciais mais relevantes do ano globalmente e a maior de uma empresa brasileira nos Estados Unidos – à época, com valuation de cerca de US$ 14,9 bilhões na estreia.

O evento ampliou a visibilidade da XP no mercado internacional, abrindo as portas para uma base de investidores institucionais globais e maior liquidez das ações.

PagSeguro (PagBank)

Outra empresa brasileira que cruzou fronteiras foi a PagSeguro Digital, hoje frequentemente associada à marca PagBank.

A companhia abriu capital na New York Stock Exchange (NYSE) em meados de janeiro de 2018, com o ticker PAGS, tornando-se uma das primeiras fintechs brasileiras a realizar IPO diretamente nos EUA.

Inter & Co

O Inter & Co, resultado da evolução do Banco Inter e de reestruturações societárias, também passou por uma internacionalização.

A empresa passou a ter ações negociadas na Nasdaq sob o ticker INTR, após reorganização que viabilizou a migração para o mercado americano – ou seja, a companhia era listada no Brasil e migrou sua listagem para os EUA.

PicPay se movimenta

A lista de fintechs brasileiras interessadas em acessar o mercado de capitais dos EUA continua a crescer. Ainda em janeiro deste ano o PicPay, banco digital com forte presença em pagamentos via Pix e serviços financeiros por aplicativo, protocolou pedido de registro junto à Securities and Exchange Commission (SEC) para um IPO na Nasdaq, sob o código PICS.

Entenda como funciona a listagem nos EUA

A listagem nos Estados Unidos é um processo complexo, que exige preparação robusta por parte da companhia, por demandar conformidade com normas rigorosas das autoridades regulatórias americanas – especialmente da Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM dos EUA.

O primeiro passo é a escolha da bolsa de valores a ser escolhida. Empresas estrangeiras geralmente optam pela NYSE ou pela Nasdaq, de acordo com o perfil de investidores, custos e exigências técnicas.

A listagem pode ocorrer por meio de ações ordinárias ou de instrumentos como ADRs ou ações classe A.

Antes da oferta pública, a companhia deve registrar a operação junto à SEC, normalmente por meio do Form F-1, documento que reúne informações detalhadas sobre o negócio, situação financeira, riscos e estratégia.

Após o registro, executivos e bancos coordenadores realizam apresentações a investidores institucionais, conhecidas como roadshow, para medir a demanda e definir o preço das ações.

Com o preço já estabelecido, as ações passam a ser negociadas no mercado americano. A estreia oficial ocorre no primeiro dia de negociação na bolsa escolhida.

Após o IPO, a empresa passa a cumprir regras rigorosas de governança corporativa e divulgação periódica de informações financeiras, sob supervisão da SEC.

Apesar das exigências e da rigidez, listar nos EUA tende a garantir vantagens estratégias para as empresas, dando acesso ao mercado de capitais mais líquido do mundo e ampliando as possibilidades de captação, além de sustentar estratégias de internacionalização.