O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou a empresários que poderá propor ajustes nas regras do fim da escala 6×1 caso seja eleito, segundo interlocutores ouvidos pela Folha de S.Paulo. A conversa ocorreu na terça-feira (13), horas depois de o senador anunciar voto favorável à proposta.

A possibilidade dependeria de uma avaliação dos efeitos da redução da jornada sobre o emprego e a atividade econômica. A discussão é inicial e não há mudanças definidas.

Empresários relatam preocupação com custos

O encontro, realizado em São Paulo, reuniu lideranças empresariais de diferentes setores. Participaram Paulo Skaf, da Fiesp, e Tirso Meirelles, da Faesp. Alfredo Cotait Neto, da CACB, esteve presente, assim como Daniella Marques, porta-voz econômica do candidato.

Os representantes manifestaram preocupação com a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. O impacto sobre os custos foi destacado especialmente por atividades que dependem de funcionamento contínuo.

Entre as alternativas discutidas pelo entorno do candidato está o envio de projetos ao Congresso para atender setores com dificuldades de adaptação às novas regras.

Flávio defende compensação do governo às empresas

Até a semana passada, Flávio criticava a votação da proposta durante a campanha e alertava para riscos de desemprego. Seu grupo político defendia uma alternativa do senador Rogério Marinho (PL-RN), baseada em maior flexibilidade nas contratações e remuneração por horas trabalhadas.

Ao anunciar apoio ao fim da escala 6×1, o candidato passou a defender que o governo federal compensasse as empresas pelos custos adicionais.

“A gente vai votar a favor do fim da 6 por 1 e quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados, estão quebrados. O governo é que vai ter que bancar essa compensação”, afirmou.

O senador não detalhou o funcionamento da compensação nem indicou a origem dos recursos.

Governo busca aprovação antes do segundo turno

A mudança de posição ocorreu enquanto o governo Lula tentava aprovar a proposta antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), havia marcado a votação em primeiro turno para esta quarta-feira (14). O governo buscava realizar as duas votações no mesmo dia, acelerando a tramitação.

Uma eventual revisão das regras constitucionais dependeria de nova aprovação pelo Congresso. Até o momento descrito no material, a campanha de Flávio não havia apresentado um texto para esses ajustes.

Com informações da Folha de S.Paulo.

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