O Fundo Monetário Internacional (FMI) cobrou ajuste fiscal urgente das grandes economias diante da alta dos custos de financiamento. A instituição alertou que os governos precisam agir antes que a pressão dos mercados imponha medidas de consolidação.

Rodrigo Valdés, diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, afirmou que os juros elevados deixaram de representar apenas um risco. O aumento já se materializou, levando o custo do serviço da dívida em diversas economias aos maiores níveis desde os anos 1990.

“Sabemos que os pontos de inflexão são desconhecidos, mas quanto mais se espera, maior o risco de já termos atingido um ponto de inflexão”, disse Valdés em painel nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangcoc.

Juros elevados ampliam pressão sobre a dívida pública

O alerta acompanha a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, em um cenário de inflação persistente e maior endividamento público. A elevação dos combustíveis e as tensões geopolíticas aumentam o risco de desaceleração global.

Para o FMI, parte da pressão sobre o financiamento vem da captação de empresas ligadas à inteligência artificial. Esses investimentos disputam recursos com os governos, aumentando a concorrência por capital.

Nos Estados Unidos, a expansão de data centers e da infraestrutura de energia que os abastece contribui para uma atividade econômica mais resiliente do que o esperado.

“O que está em jogo é maior agora, à medida que os custos de endividamento sobem”, afirmou Era Dabla-Norris, diretora-adjunta do departamento fiscal do Fundo.

FMI alerta para efeitos sobre economias emergentes

Os rendimentos elevados nos países avançados se propagam para os emergentes e restringem suas condições de financiamento. A pressão cresce à medida em que os governos precisam lidar com custos maiores para administrar a dívida.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, avaliou que a resiliência da economia global pode estar próxima dos limites. Para ela, a resistência da atividade aumenta o risco de complacência diante de um cenário ainda incerto.

As guerras alimentam a inflação e interrompem fluxos de energia e commodities. Gargalos de oferta podem elevar os preços de energia e alimentos, enquanto os efeitos do El Niño agravam essas pressões. As tensões comerciais e a redução da atividade completam o quadro de riscos.

O Fundo aponta ainda a possibilidade de retração dos investimentos após o boom de inteligência artificial. Ataques cibernéticos representam outra ameaça ao sistema financeiro.

Receitas e gastos entram na agenda de consolidação fiscal

Georgieva defendeu “colocar a casa fiscal em ordem”, com aumento de receitas e racionalização de despesas. O apoio aos mais vulneráveis deve ser focalizado.

Na política monetária, a orientação é manter o foco na estabilidade de preços. A diretora-gerente defendeu uma postura prudente e mais restritiva em muitos países, diante das pressões inflacionárias associadas aos conflitos e às interrupções de oferta.

Fonte: Dow Jones Newswires/Broadcast.

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